Domingo, Junho 21, 2009

And though I still hate school I've almost got my degree...

Enquanto o povo chora/critica/elogia o fim da necessidade de diploma de jornalismo pra exercer a profissão eu enfrento o que seria, teoricamente, o penúltimo período de Artes Visuais. Nunca precisou de diploma pra ser artista, então eu tô lá de bobeira mesmo. Mentira, faço licenciatura então eu posso dar aula em escolas no ensino fundamental e médio, mas honestamente quando eu penso nisso também penso em me matar e pra me matar eu não preciso de diploma.

E a treta da USP? Sabe, eu só acho que não dá pra meter polícia nessas merdas. "Ah, porque os grevistas não representam a maioria dos alunos", tudo bem, basta que a maioria dos alunos se movimente, vote, participe e corra atrás disso como eles fizeram posteriormente, desmascarando o movimento estudantil falido da USP. Incentivar a apatia política, com bombas sendo atiradas dentro do campus, é que não dá, saca?

Lá na UEMG tivemos movimentações esse ano. Primeira vez, desde que entrei lá. Aliás acho que é a primeira vez que existe um DA também. Até hoje não existe um DCE. É que quando trocaram a Escola de Design de lugar sumiram com a documentação necessária pra formar um DCE, e só a encontraram de novo esse ano no porão da FAE, na pilha de "coisas separadas pra serem enviadas pra alguma unidade obscura no interior". A UEMG é uma universidade de muitos campi, tem até esse povo jogado no interior, sem verba, sem qualidade de ensino e sem contatos com qualquer um que possa agregar volume à falta de voz deles. Porque no fundo é isso, nós alunos, todos juntos, berrando, não temos quase voz nenhuma. Quando junta uns 2 cursos inteiros pra reivindicar alguma coisa faz um chiadinho que eles correm pra calar bem rápido. "Ah, mas não ter um DCE é ilegal", num é? Também acho, me disseram isso, mas o que fazer? Como fazer?

A justiça é meio falha nesse ponto. Existem tantas leis e tantas coisas a nosso favor e um caminho extremamente obscuro pra alcançá-las.

O ponto que eu queria comentar é que nessa história toda também houve uma tentativa partidária/sindical de usar a nossa voz em prol das reivindicações alheias. Sorte nossa que tinha eu ali naquela assembléia, bem mais velha, experiente e imponente. Como uma irmã mais velha dei ordem pra que todos meus coleguinhas se retirassem. Uma boa parte deles obedeceram e isso cessou as tentativas de manipulação, pelo menos naquele momento e no decorrer da solução do nosso problema. Não foi nada democrático, note, eu ordenei, fui incisiva e só saíram aqueles que ou confiavam em mim sem maiores questionamentos ou ficaram com medo (é, eu causo isso nas pessoas às vezes). Ao mesmo tempo, alguns ficaram.

Acho que é porque no fundo a maioria dos jovens quer mudar o mundo sabe? Mudar essa justiça dos que podem pagar. Mudar essa coisa do Estado propagandear enganosamente que super investe na Universidade e que educação é uma prioridade. O discurso sindical/partidário é muito bonito e eficaz na tentativa de convencê-los de que alguma dessas coisas é mutável. Eles são líderes e são bons nisso, eu, por exemplo, não sou. Só oscilo entre ser extremamente autoritária e ter boa argumentação e paciência pra explicar e debater as coisas. Ainda tem essa coisa de ser pouco intolerante com burrice excessiva, então no fundo, quem demora demais pra entender ou quem tem um alcance de visão muito limitado eu quero mais é que se foda. Quer fazer piquete pra defender causas sindicais e ignorar seus próprios problemas como cidadão/estudante? Vai lá, beijos e por favor, não me liga.

Mas um dia ainda consigo fazer com que a minha falta de voz seja ouvida. Só nem imagino como....

Quinta-feira, Junho 18, 2009

This world seems like a nice place to visit, but I don't want to live in it.

Outro dia eu tive uma briga com a minha prima por um motivo muito simples. Ela tem mania de odiar classes inteiras de pessoas, numa dessas declarações de ódio gratuito eu me senti incluída e agredida. O pau foi feio, fiquei verdadeiramente ofendida e magoada. Claro, ela sendo minha prima e querida por mim, bastou que se desculpasse e esclarecesse melhor a situação e estamos na boa de novo. Mas isso tudo estou dizendo só para afirmar o seguinte:
Preconceito é uma merda.

É simples assim. Se você tem idéias pré-concebidas sobre um grupo de pessoas por qualquer motivo, se julga as coisas sem reconhecer que talvez simplesmente as desconheça, você está sendo preconceituoso e ridículo.

Sim, ridículo.

E porque estou falando isso, tem esse cara, o @rmaruo, minks meu de tempos de mirc, pessoa pela qual eu nutro um bem querer há anos, e hoje me indicou um podcast. Estava estressada, querendo distrair, aquela coisa de fim de semestre habitual, e segui a dica. Nem mesmo sabia que ele participava do tal podcast, fui descobrir no decorrer do negócio.

Enfim, fui escutando e de repente noto que o podcast é na verdade um grupo de pessoas fazendo gracinha, fingindo que está discutindo pós-modernidade, arte, cinema de arte, Marx, Sartre, o cacete.

Fingindo porque o faziam exatamente como a vovó maligna fazia antigamente pra fingir que falava alguma língua estrangeira:
- blobsblobsblobsblobsblobs.

Exemplo melhor, o que eles falavam soava bem mais como:
- Patinete na agulha fazer bolinha como telefone.

E foi isso por, sei lá, uns 30 minutos para então dizer que estavam imitando um grupo de pessoas que eles denominam Pimbas. Eu acho irônico que esse tipo de atitude venha de um grupo que se auto-denomina nerd. Talvez, se eles tivessem gravado um blablabla desse tipo, dessas pessoas em específico, eles teriam um ponto, ou um argumento, ou qualquer coisa que o valha. O que pareceu, honestamente, é que eles acreditam que as pessoas que discutem os assuntos levantados não falam nada com nada ou que, ainda, não sejam discussões válidas.

Me lembra uma vez que eu e Gu discutíamos qualquer coisa de Spiderman no intervalo na faculdade e uma colega de sala foi embora puta falando que nós dois éramos um saco porque não falávamos nada com nada. A gente realmente estava sendo um saco, porque estávamos entretidos no nosso gibberish e, com isso, a excluímos da conversa. Essa colega, em momento nenhum, se daria ao trabalho de dizer que éramos pseudo qualquer coisa só porque falávamos de um assunto que ela desconhecia, ela não se acha melhor ou pior que ninguém, se falássemos de Miró, por exemplo, ela entenderia e se divertiria com a conversa. São áreas de interesse. Tem gente que gosta de Spiderman e tem gente que gosta de Win Wenders. Tem gente até que morre de rir quando descobre que o primeiro nome do Win Wenders é Ernst porque se lembra de Oscar Wilde.

E tem gente que não entende. E acha arrogância, e acha nada com nada, e critica. Qual a diferença de perder seu tempo lendo sabedeusquantos livros do Tolkien ou ler Nietzsche? É tudo entretenimento e é tudo cultura. Ado, a-ado, cada um no seu quadrado.

Resumindo, eu acho que um grupo de pessoas simulando um determinado tipo de discussão não demonstra que essa discussão é inválida, ou até mesmo non-sense quando realizada por um outro grupo de pessoas. Enfim, o tal podcast continua, e esclarece que se trata de uma demonstração sobre o quanto os tais Pimbas são abomináveis. Uhum, senta lá Cláudia, até agora a única coisa feita foi uma suposta imitação, mas prossiga. Daí começam a comentar como eles são ridículos por terem um código de vestimenta, ou por frequentarem certos lugares, ou por whatever, todos os exemplos eram sinais de que aquelas pessoas tinham certas atitudes/hábitos que os identificavam como um grupo.

Isso vindo de um podcast chamado NerdExpress de um site chamado "Nerd Curitibano". Qual é? É briga de gangue? Eles realmente estão criticando pessoas que se rotulam e que seguem regras sociais e comportamentais para fazerem parte de um grupo? E o rabinho, tá confortável aí bem escondidinho sob sua própria bunda?

Nerd deixou de ser xingamento e virou rótulo de pessoas. Mais ainda, com suas próprias regrinhas, que fofo. Eu me seguro daqui pra não desmaiar de tanta vergonha alheia.

ps. só pra constar, eu não me encaixo na descrição dos tais pimbas, tampouco na descrição de nerds. Posso xingar ces tudo até minha língua cair do alto da minha falta de rótulo.
pps. Notem o terceiro dever da listinha dos nerds, provavelmente é ele que tem feito esses auto-proclamados dizerem tanta asneira sobre os mais variados assuntos internet afora.

Sábado, Junho 13, 2009

OK, se hoje fosse seu último dia de vida, o que você gostaria de me contar, pra valer?

Do Louback.

Se hoje fosse o meu último dia de vida eu não teria nada a dizer. Diferente do que fiz a vida inteira, se hoje fosse meu último dia de vida, eu escolheria o silêncio.

Quarta-feira, Junho 03, 2009

Why is it that you had to say goodbye in your special way?

Alguém que te acha lindo. Alguém que acha o que você faz interessante. Alguém que acha o que você diz legal. Alguém que te admira. Alguém que fala bem de você. Alguém que te defende. Alguém que te deseja. Alguém que quer estar ao seu lado. Alguém pra te fazer companhia. Alguém pra te fazer surpresas. Alguém pra te ligar. Alguém pra te buscar. Alguém pra te levar. Alguém pra encontrar. Alguém que gosta de ler o que você escreve. Alguém que gosta de olhar o que você fotografa. Alguém que gosta de assistir o que você filma. Alguém que gosta de ver o que você pinta. Alguém que quer saber quem você é. Alguém que quer te ver feliz. Alguém que quer te ver realizado. Alguém que quer te ver completo. Alguém que só quer te dar abraços. Beijos. Carinhos. Alguém que quer fazer sexo com você. Alguém que pensa em como seria misturar os genes com os seus e fazer filhos. Alguém que planeja envelhecer com você.

Por que? Meu Deus, por que tanto medo de ser descoberto sendo esse alguém?