Sábado, Abril 18, 2009

- E isso mostra pra nós que não precisamos de ajuda do governo pra fazer as coisas acontecerem.
- Mas quem pagou por esse evento?
- Os patrocinadores.
- Quem?
- Estão atrás da camisa. Fulaninha, vira pra eles verem.

Fulaninha dá uma volta de 3 segundos. Quase ninguém viu nada e ainda por cima mudança rápida de assunto.

Entrei no site do tal evento, hospedado, por sinal, no portal do Ministério do Meio Ambiente e colo pra vocês o pedacinho que mostra quem foram os patrocinadores:



E nego se auto-denomina profissional da educação. Fofo. Super educador isso. Não é muito vindo de alguém que deu um chilique absurdo e praticamente nos linchou quando propusemos uma atividade baseada na malhação do Judas para um trabalho que envolvesse arte e folclore uns 2 anos atrás.

O fato é que enquanto as pessoas encararem o Governo como uma coisa destacada delas mesmas nada vai mudar. O governo sou eu, e você, e tudojuntoaomesmotempo. Todo mundo vai lá e bota seu dinheirinho, todo mundo vai lá e escolhe alguém pra escolher o que vai fazer com ele e tomar decisões em geral pra todos nós.

Nós. Decisões pra mim e pra você. E praquela pessoa ali que eu nunca vi na vida também.

Pessoalmente eu acho democracia uma merda, cá entre nós todas as decisões poderiam ser tomadas por mim, tudo ser meu e ia mandar explodir um monte de coisas, mas é bem menos pior, muito mais justo, e muito menos medonho que sejam decisões e investimentos que tenham como objetivo o bem estar da maioria e não só o meu.

Sabe porque?

Por que se não fosse assim provavelmente quem ia mandar nessa bodega não seria eu, nem você, nem aquela pessoa ali e isso seria uma merda.

O pior é que as pessoas não tomam posse e nem, consequentemente, responsabilidade pelo governo que têm. É por isso que a gente vê gente aí de mimimi, por exemplo, dizendo que é super injusto a tia lá da Daslu ficar presa. Acham injusto porque não enxergam que, sonegando, ela bateu a carteira de todo mundo. Você quer que o cara que estraçalhou a janela do seu carro e levou o som vá pra cadeia, mas a tia da Daslu não precisa, coitada. Ela só sonegou e isso não diz respeito a você. Diz sim, meu caro muchacho. Ela tá tomando champagne e comendo queijo brie na sua conta. E você nem tá ficando puto.

Brasileiro em geral acha isso até legal. "Pô, massa, cadê a minha fatia?" E quando tem a chance de abocanhar um pedacinho desse mundaréu de carteiras batidas vai com toda fome do mundo. Quem pensa assim não é só escroto, é patético. Ele acha que tá tendo a maior vantagem do planeta quando na verdade ele não passa de graxa da engrenagem. Na verdade, até ele estaria vivendo muito melhor se não pensasse assim e se não ficasse achando que o bem estar dele está acima do bem estar de todo mundo. Arrogante de bosta. Imbecil. Vai comer merda pro resto da vida achando que tá comendo caviar.

Educadores que perpetuam essas idéias mereciam ir pra cadeia. Educadores deveriam ensinar exatamente o contrário. "O governo é você, e se tá ruim a culpa é sua por não fazer por onde ele ser melhor."

É, a culpa é minha. É sua. É daquele cara ali que já está me assustando, porque diabos ele tá olhando pra cá?

Agora também não adianta correr pro lado oposto. Sair defendendo a qualquer custo. "O governo é meu, mas veja bem, somos perfeitos, eu e o governo." não, não são. Acho lindo que o Lula finalmente tenha chegado lá. Lula-lá. Viva! Mas deu. Um passo já foi dado. Muita coisa melhorou mas estamos a um oceano gelado de distância do ideal. Muita gente se satisfez com o PT no poder e fica por aí tateando cegamente e tentando defender que eles são maravilhosos e qualquer um que criticar qualquer coisa é um enviado do demônio. Não, não é. Melhor não é tudo. Melhor que afundado no esgoto é respirando a cada 2 minutos no esgoto. Ter passado a respirar não te impede de continuar querendo sair. Política não é futebol. Você não precisa escolher um time e defendê-lo até quando ele cai pra segunda divisão. Você não é virafolha se mudar de idéia e se reconhecer errado.

E não venha começar a berrar que sobreviveu à ditadura. Essa palavra desliga minha capacidade de escutar. Foi exatamente o que a tal educadora que eu disse lá em cima usou pra tentar me convencer de que estava certa e eu errada no episódio do Judas. A ditadura acabou graças a gente muito diferente dela, disso eu tenho certeza. Tivesse não sobrevivido então. Definitivamente não fez por merecer. Agora deixa eu ir que aquele cara tá me assustando.

Segunda-feira, Abril 13, 2009

there's no place like home



Há tempos, ao encontrar com um amigo que tinha acabado de voltar depois de alguns anos morando na Alemanha, escutei a seguinte conclusão: em Bh nada muda, você vai embora, anos passam, você volta achando que tudo que deixou aqui se perdeu degradado pelo tempo, mas quando volta está tudo exatamente no mesmo lugar, as pessoas continuam exatamente as mesmas, nos mesmo lugares, fazendo e falando as mesmas coisas.

Me senti uma bailarina empoeirada que rodopia na sua caixa de música antiga e imutável. EU era uma dessas pessoas. Eu estava ali, no mesmo lugar que frequentávamos no passado, sendo exatamente a mesma pessoa que eu sempre fui desde que ele me conhecia. E ele me conhecia desde meus 13 anos. Claro que mudei em muitos aspectos, mas a essência era a mesma. Eu sou parte do cenário de "porto seguro" daqueles que algum dia fugiram daqui. Eu sou um dos personagens dessa metrópole em miniatura que detona nas pessoas o sinal de que elas estão em casa, de que elas estão seguras.

Isso me incomodava profundamente.

Muitos amigos e conhecidos foram desbravar outras realidades. Deles, fica aquela saudade esquisita. Fico feliz que eles estejam lá fora costurando vários cenários diferentes e enchendo as próprias vidas de novas cores, mas sinto uma invejinha de não conhecê-las e nem de agregá-las aos meus próprios retalhos. Nessas horas eu planejo escapadas triunfais, sonho com um milhão de cores que eu imagino existirem, penso e repenso projetos e até coloco uma coisa ou outra em prática. Belo Horizonte tem disso, esse ar de cidade cenográfica, esses milhões de caricaturas, tudo que faz a gente achar, o tempo todo, que precisa fugir pra viver de verdade.

Só pausa quando alguém avisa que está voltando.

Aí é o grito de "Estátua!"

Parem tudo que não é hora de pensar em ir embora. É hora de mostrar como aqui nada mudou. Tipo uma mãe destrancando um quarto pra mostrar pro filho que tudo continua no mesmo lugar. A carinhosa mãe mineira que interrompe o tempo como uma prova de que pra sempre vai manter seu lar intacto. É aí que eu sou, com orgulho, a bailarina empoeirada rodopiando. E quando a pessoa se misturar de novo ao cenário, vestir seu personagem, entrar nas rotinas, a gente recomeça os planos pra fugir. Quem sabe, na próxima, em dupla.