Eu sei que fiquei de responder os comentários do post do BBB e ando enrolando há eras, mais por preguiça mesmo.
Quando eu quero colocar meu cão de volta pra área de serviço e ele não quer ir, ele se esconde embaixo do armário e fica lá bem quietinho como, se eu ficasse muito tempo sem vê-lo, mesmo o tendo visto entrando lá, esqueceria e deixaria ele dentro de casa. Eu acho isso tão absurdo e ridículo que quando ele faz isso me irrita profundamente.
Aí estava aqui tentando resumir alguns pensamentos em 140 caracteres pra postar no twitter enquanto eu poderia perfeitamente falar sobre eles aqui, mas sabe o que estou fazendo com vocês?
Me escondendo embaixo do armário.
Prova de que aquilo que mais nos incomoda nos outros não passa de nós mesmos refletidos nas atitudes deles. Então resumindo: depois eu continuo o assunto, agora tô sem tesão pra sentar e escrever sobre ele.
O que me ferve os pensamentos no momento é a idéia de que
a maioria das pessoas só amam aquilo que não têm.
Quando se trata de relacionamentos interpessoais isso chega até a ser meio óbvio. O tempo INTEIRO vemos pessoas dispensando outras pessoas, enquanto estas gostam delas, pra só notarem na ausência a falta que elas fazem. Tem aquela coisa de querer e tentar conquistar alguém a todo custo e quando conseguir desencanar. Nem se discute isso, acontece o tempo inteiro, se não nas nossas vidas, nas vidas ao redor das nossas.
Eu honestamente não sou assim. Quando alguém se "oferece" pra mim eu estudo a possibilidade a fundo, pra ter certeza de que eu realmente não quero. Se eu quero alguém eu foco. Tento conquistar. Se rolar eu curto enquanto durar e for bom. O que me levou a pensar: no que mais eu sou diferente dessas pessoas?
Em coisas. Eu cresci sendo mais mimada impossível. Meus pais tentavam suprir todos os meus desejos o mais rápido que conseguiam. Ironicamente eu vivia insatisfeita. Até que, reviravoltas depois, eles não podiam mais. Por mais que quisessem. Faziam o diabo mas não tinha jeito. Então passei uns bons anos sem ter NENHUM desejo saciado. Alguns anos de "não posso", "não tenho", "não dá". Meu mundo ruiu. De menina riquinha mimadinha eu passei a não poder ter NADA, só o básico pra sobreviver. E aí que eu descobri que poderia trabalhar pra comprar as coisas que eu queria. Talvez porque eu já tinha, em algum momento, tido TUDO e sabia que TER TUDO não era exatamente a solução dos meus problemas, passei a me policiar. Eu tenho umas regras, pessoais e intransferíveis, pros meus quereres.
A primeira é querer uma coisa de cada vez. Se surgir outro querer no caminho eu peso ambos e opto por um só.
A segunda é não sofrer no querer. Se eu quero eu trabalho, junto dinheiro e compro. Eu sei que se eu não conseguir trabalhar e juntar dinheiro pra comprar é porque eu simplesmente nem queria tanto assim.
Outra é analisar o que me leva a querer. É porque eu realmente achei super legal e vou me divertir ou é modismo? Vai fazer alguma diferença na minha vida ter aquilo? Eu preciso?
A última é curtir o que eu comprei. Ser grata a mim mesma por ter me dado um presente tão maneiro. Lembrar que ele é fruto de muitas horas de trabalho e dedicação.
Agora, assim, falando disso, eu não consigo deixar de achar que são coisas absolutamente lógicas, mas vai vendo, as pessoas não são assim.
Um exemplo prático disso foi o Vaio que eu me dei de natal. Eu comecei a querer um Vaio em 2007, quando minha escapada de aniversário foi uma visita ao meu amigo Rodrigo que mora em Sp. Mas eu não precisava de um notebook, isso só foi começar a acontecer em 2008 e só se tornar absolutamente necessário esse ano. Eu poderia ter comprado um notebook tabajara qualquer mas não era o que eu desejava. Desde aquele Vaio branco alemão do Rodrigo eu queria um Vaio e ponto final. Quando chegou a hora vieram todos aqueles demonhos buzinar na minha orelha que Macbooks eram muito mais legais e na mesma faixa de preço. Por um mês eu pensei no assunto. Na verdade, se no final eu concluísse que Macbooks realmente eram mais legais que Vaios pode ter certeza que eu acabaria comprando um notebook tabajara, o mais barato deles de preferência, porque todo esse processo só ia confirmar que a marca escolhida era modismo e não desejo. Se eu quisesse um Mac eu provavelmente quereria desde que descobri que eles existem e não desde agora. Não desde ipods e endeusamento da Apple. Eu sei que sistema e hardware da Macintosh são mais estáveis e teoricamente superiores desde 2000 quando estudava Ciência da Computação e tinha um colega de sala macmaníaco que fazia questão de dissertar sobre o assunto todo santo dia. Não era o caso. Então eu quis, esperei precisar, ao precisar re-analisei tudo e só então comprei. Desde que comprei eu beijo a desgraça do trem todo dia. Durmo abraçada com ele. Amo como se fosse meu marido querido. Dei até nome de homem bonito pra ele: Cillian. (lê-se Kill-ian)
O exemplo prático é só pra ilustrar melhor que o prazer da parada está no usufruir do negócio e não no saciamento do meu desejo. Eu podia, financeiramente falando, ter comprado um assim que eu vi o do Rodrigo. Só que se tivesse sido assim ele não teria sido necessário, talvez não teria sido tão amado, e hora dessas tava velho, feio e meio obsoleto já.
O mesmo eu faço com pessoas. Deixo aquele desejo se tornar algo mais forte pra então, no ápice, concretizar e ser uma coisa de outro mundo que pra sempre vai ser uma memória boa na minha vida. Ou nem concretizar. Ou virar amor, mesmo que seja amor de amigo. Ou qualquer coisa que quiser virar mas não algo rápido, casual, desimportante. Pra serem rápidos e desimportantes eu tenho as coisas (e as pessoas) muito baratas. Cheap.
Mas o resto do mundo não pensa assim e eu fico com pena. Porque não adianta ter tido tudo, muito menos todo mundo. Somos nós que agregamos valor ao que nós temos. Ou que não temos....