O que incomoda é essa sensação de que nunca vai mudar. De que os intelectualizados vão continuar alegando que são só de brincadeira todas as manifestações de preconceito de gênero. Que as moderninhas vão continuar chamando de liberdade sexual suas competições por futilidades. De que os desprovidos de educação formal, caráter, respeito, continuem punindo com força e abuso sexual toda mulher que acreditar ser dona do próprio corpo e senhora de sua sexualidade. E porque não puniriam? Vivem na selvageria e ninguém numa acima deles na cadeia alimentar social reforça que a mulher é um ser humano.
Mulher é sempre parte. Mulher é melhor calada, obediente e pelada. Mulher boa é aquela que espera ser completa no outro. Que precisa do outro. Que sobrevive à ausência do outro. Que cria os filhos do outro. Um grande receptáculo de porra, é isso que a mulher é.
E elas sofrem, choram, muitas se submetem.
O que dói não é a brincadeira, mas a ausência de diálogo. São os calabocas, são as provocações, são os xingamentos. Diálogo com quem se mulher não fala? Mulher só fala se concorda. Mulher é boa quando concorda.
Então vão lá, mostrem a bunda e ganhem menos. Gastem mais. Gastem muito com salão de beleza e renda francesa. Finjam que acreditam em tudo que escutam. Finjam que não vivem no mundo que eu vejo, errado e repressor. Aproveitem e finjam que tudo se reduz a sapatos. Comprem muitos sapatos. Finjam orgasmos também. Repitam até soar verdadeiro que tamanho não importa. Dependam. Dependam pra tudo. Dependam pra pagar as contas. Dependam pra abrir jarra de palmito.
O outro é frágil sabe? Parece que não, mas é. Encene o tempo inteiro pra que ele não fique inseguro. Encene e ele vai se sentir um macho alpha. Quando ele finalmente acreditar que é tudo, você vai ser automaticamente reduzida a nada. Faça que não se importa. Compre mais sapatos.

10 Comments:
Me vi no primeiro paragrafo.
Lori, você foi a pessoa que melhor expressou o que eu penso até agora. Se não concordamos em tudo, pelo menos parcialmente. E, sinceramente, isso me alivia.
Na maior parte do tempo, alivia como tudo que você escreve.
bem, as coisas mudam e não mudam
mas um dos lances é a velocidade das coisas
Ah, em um milhão de anos de homem na terra e essa é a velocidade com que as mulheres vão conseguir as coisas?
No, thanks
Lori, você precisa precisa precisa ler esas meninas:
http://beauvoriana2.zip.net/
http://ateaquitudobem.blogspot.com/
e a Marjorie falando exato sobre feminismo e escolhas:
http://marjorierodrigues.wordpress.com/2009/07/24/da-onda-feminista-i-choose-my-choice/
Elas escrevem bem , além de serem absurdamente acordadas pra situação da mulher. Inclusive, elas estão envolvidas academicamente na discussão de gênero (que aliás é meu objetivo acadêmico tb)
:)
Putz, brigada Ariane, eu relutei um bocado pra escrever esse post, saber q vc concorda tbm alivia.
Kenji, meu pai veio me dar uma bronca outro dia, falando que era um absurdo eu reclamar tanto da situação da mulher qdo já tinha melhorado tanto. Toda essa melhora, quem viu de fato, foi ele, desde q eu nasci temos basicamente retrocesso.
Rosi, POIS É. Tem aquele velho argumento de que tudo isso já vinha a milhares de anos e que só nas últimas décadas as mulheres resolveram bater o pé e então, sendo assim, foi um grande avanço. Talvez exatamente por isso me entristeça tanto notar que MESMO ASSIM, dentre pessoas esclarecidas, o problema continua sendo jogado pra debaixo do tapete. Eu assinei essas moças todas q vc indicou há pouco tempo, ando lendo e tal, mas no fundo não consigo ser tão lógica e racional qdo se trata desse assunto, apesar de abordá-lo na minha monografia. Achei isso http://www.tv-links.eu/show_link.php?data=Mjg3NDQ0 esclarecedor e bastante didático.
adorei!
mas eu queria dizer que não são só os desprovidos de educação formal que batem.
Mulheres foram e são oprimidas? Sim, sem sombra de dúvida. Não sou eu que vou negar isso.
Mas COMO conversar com mulheres feminazis que NÃO QUEREM CONVERSA? Que não aceitam argumentos diferentes daqueles que estão em sua cartilha? Que chamam outras mulheres de BIFES e outros nomes não adequados, demonstrando elas mesmas serem mais machistas que muito marmanjo por aí?
Outra coisa: o que lhe dá o direito de julgar as escolhas de outras pessoas? Se vivemos num Estado Democrático de Direito, aceite o fato que pessoas fazem escolhas por si próprias, mesmo que elas sejam ruins. Podemos lamentar, baseados tão somente nos nossos valores, verdade. Mas ninguém tem o direito de julgar, porque TODO julgamento é subjetivo e não existe como comparar a subjetividade de outra pessoa com a sua.
Olha, a gente pode comparar duas situações quaisquer e julgá-las sim, tendo como fundo a moral vigente, por exemplo. Ou Kant estaria , pelo seu raciocínio, discutindo com Freud, ne? Uma situação historicamente fundamentada pode ser comparada com outra sim. Então eu posso discutir que o direito a ter salários equiparados com os homens, por exemplo. E ISSO NÃO É SUBJETIVO. Claro, eu só posso lamentar que uma mulher, por exemplo, se entenda menor que um outro indivíduo ou ser de qualquer espécie. Agora, discutir VALORES, são outros 500. Se um sujeito decide que pra ele ser menor, ganhar menos, ter menos direitos, não ter sua opinião qualificada (ou ouvida) é melhor, ISSO eu não POSSO discutir, porque, como disse Voltaire, "discordo mas defendo até a morte o teu direito de assim dizer". Porque é totalmente diferente uma pessoa QUERER um coisa e entendê-la como boa PRA ELA e uma pessoa entender que aquilo que ela quer pra ela TEM VALOR ABSOLUTO. O que está em discussão aqui, acredito, é que existe uma condição feminina, COMPROVADA hostoricamente, economicamente, socialmente, até geograficamente, sociológicamente, psicologicamente OPRIMIDA, ROTULADA, DIMUINUÍDA E INCOMPREENDIDA. Ou pouco entendi da Lori e do texto, mas em nenhum momento ela quis passar a cartilha pra ninguém, quis, antes, apresentar um ponto de vista que ENCONTRA ECO no mundo , na literatura, na academia há mais de 200 anos, se pouco. (Desculpem o mal jeito, esse assunto me inflama :)
Pois é, toda hora alguém diz q as feministas não querem conversa, mas ao mesmo tempo toda conversa q eu vi do outro lado era cheia de garras. Qqr um q se arriscou a questionar foi atacado com mil pedras. O meu texto mesmo nem é sobre julgamentos, mas sim como eu me sinto quando vejo que nem mesmo pessoas supostamente esclarecidas encaram esse debate de forma madura. Um debate q eu mesma evito, por não saber me portar já q é um assunto que muitas vezes me tira do sério. Mesmo com toda minha relutância fui chamada de facista, sapata (sic), etc...
Ninguém aqui está falando em estabelecer leis ou criminalizar comportamentos mas me lembrou uma frase q eu escutei outro dia: "qdo uma pessoa é preconceituosa, é lamentável. Qdo a maioria das pessoas o são, nós temos um problema."
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