there's no place like home
Há tempos, ao encontrar com um amigo que tinha acabado de voltar depois de alguns anos morando na Alemanha, escutei a seguinte conclusão: em Bh nada muda, você vai embora, anos passam, você volta achando que tudo que deixou aqui se perdeu degradado pelo tempo, mas quando volta está tudo exatamente no mesmo lugar, as pessoas continuam exatamente as mesmas, nos mesmo lugares, fazendo e falando as mesmas coisas.
Me senti uma bailarina empoeirada que rodopia na sua caixa de música antiga e imutável. EU era uma dessas pessoas. Eu estava ali, no mesmo lugar que frequentávamos no passado, sendo exatamente a mesma pessoa que eu sempre fui desde que ele me conhecia. E ele me conhecia desde meus 13 anos. Claro que mudei em muitos aspectos, mas a essência era a mesma. Eu sou parte do cenário de "porto seguro" daqueles que algum dia fugiram daqui. Eu sou um dos personagens dessa metrópole em miniatura que detona nas pessoas o sinal de que elas estão em casa, de que elas estão seguras.
Isso me incomodava profundamente.
Muitos amigos e conhecidos foram desbravar outras realidades. Deles, fica aquela saudade esquisita. Fico feliz que eles estejam lá fora costurando vários cenários diferentes e enchendo as próprias vidas de novas cores, mas sinto uma invejinha de não conhecê-las e nem de agregá-las aos meus próprios retalhos. Nessas horas eu planejo escapadas triunfais, sonho com um milhão de cores que eu imagino existirem, penso e repenso projetos e até coloco uma coisa ou outra em prática. Belo Horizonte tem disso, esse ar de cidade cenográfica, esses milhões de caricaturas, tudo que faz a gente achar, o tempo todo, que precisa fugir pra viver de verdade.
Só pausa quando alguém avisa que está voltando.
Aí é o grito de "Estátua!"
Parem tudo que não é hora de pensar em ir embora. É hora de mostrar como aqui nada mudou. Tipo uma mãe destrancando um quarto pra mostrar pro filho que tudo continua no mesmo lugar. A carinhosa mãe mineira que interrompe o tempo como uma prova de que pra sempre vai manter seu lar intacto. É aí que eu sou, com orgulho, a bailarina empoeirada rodopiando. E quando a pessoa se misturar de novo ao cenário, vestir seu personagem, entrar nas rotinas, a gente recomeça os planos pra fugir. Quem sabe, na próxima, em dupla.

3 Comments:
Como eu gosto do seu jeito de brincar com as palavras, fantastico.
E u há algum tempo parei num lugar, mas acho que não a vida. Mas é estranho, confesso. Eu sempre mudava e conhecia lugares, pessoas... a cada 2 anos.
Mas nós que fazemos acontecer, certo?
Seu outro texto, 10 tb. Fiz um sobre tempo tb, mas não falei de pessoas.
Mas é bem por aí, as vzs, nao valem tanto a pena...
bjocas
Caraca, se fosse eu nessa situação eu acabaria me desesperando horrores, começaria a fazer cursos bizarros ou mudar alguma coisa xDDD.
A cada passagem de tempo eu mudo, por enquanto parece inevitável e gosto disso, espero que sempre seja assim x).
Acho que não preciso repetir que vc escreve ótimos textos, todos aqui são ótimos, só não comento em todos pq acho que alguns não são muito abertos pra comentários :)
Bjos, Lorii :D
Hum... às vezes é muito bom voltar prá casa. Não se sentir sempre o forasteiro, o de fora. O foda é: onde é a tal da minha casa? Ainda não achei. Mas um dia eu acho.
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