Domingo, Março 08, 2009

Zegço nevroso. (Parte 1)

Alguns acontecimentos recentes andam convergindo pra esse assunto. Seja por causa da repercussão dos meus presentes de natal, por causa dos comentários que eu teci sobre o Mezenguinha compartilhar um manual de sexo no GReader, por causa da coluna que o Gravata escreve pro portal Delas ou por causa desse site, só pra citar os acontecimentos mais marcantes, tenho refletido muito sobre o assunto.

Na verdade talvez o caso nem seja exatamente sobre sexo pura e simplesmente, e sim sobre como as mulheres lidam com sua sexualidade nos dias de hoje. Apesar das minhas conclusões sobre cada um dos acontecimentos se embaralharem e terem muito a ver umas com as outras não é exatamente como se eu conseguisse explicá-las todas em poucas linhas de uma vez, então senta que lá vem história, pra começar:

O causo do vibrador.

Alguns anos atrás, 2007 eu acho, eu conheci um cara super maneiro numa noite no bar com as minhas amigas. Bonitinho, papo interessante, e enquanto discutíamos fervorosamente sobre política já estávamos cada um com as mãos acariciando as pernas do outro. Da mesa pra cima o papo era sério e o mundo achava que brigaríamos, mas por baixo da mesa a possibilidade de terminar aquele conflito num lugar mais reservado era quase certa. Foi o que aconteceu e foi sensacional. Uma daquelas noites marcantes sabe? Memorável. A surpresa veio alguns dias depois, eu tinha sido cúmplice do cara numa pulada de cerca, ele tinha namorada. Nunca tive problemas com sexo sem comprometimento só que isso não significa que eu ache de bom gosto ser parte de uma traição. Era um mistério pra mim como os homens conseguiam separar tão friamente sexo de amor. Achei que o erro estava em mim e acabei decidindo que separaria também.

Com a idéia fixa em viver uma relação puramente sexual acabei conhecendo o Trepê. Trepê era lindo de encher os olhos, mas um tapado. O sexo era ótimo, mas as conversas antes e depois eram um sacrifício pra mim. Fiz "o macho" e superava cada burrice que ele dizia ficando surda enquanto imaginava ou relembrava as vantagens que aconteciam entre uma tortura e outra. Até que um dia Trepê resolveu ficar romantiquinho e aquilo me irritou profundamente. Quando eu abria o coração pra possibilidade de conhecer um cara lindo e tarado com o qual eu poderia construir uma relação mais profunda e complexa eu era tratada como um delicioso pedaço de picanha ao ponto num churrasco da galera. Ao mesmo tempo quando eu aceitava a lei do açougue e me servia com a intenção de me fartar era interrompida com o discurso do "Oi, eu não sou um pedaço de carne". Me neguei a ter essa conversa. Eu sou cretina mas não tenho sangue de barata. Não conseguiria, nunca, tapear o garoto e convencê-lo de que ele era sequer humano pra mim. Também não tinha a intenção de dar uma facada na auto-estima dele e jogar na mesa todos os motivos que me levavam a não querer nada mais que aquilo com ele. "Tá tarde, eu preciso ir, a gente conversa isso outro dia tá?"

No taxi já comecei a tentar achar uma solução pro meu paradoxo carnal-sentimental e naqueles 7 minutos de trajeto até chegar em casa já tinha decidido: Desisto de homens, vou comprar um vibrador.

Assim que cheguei entrei na internet, bloqueei o Trepê dos meus IMs e encomendei a solução dos meu problemas. É, eu sei, tolinha...

Alguns dias depois chegou. Meus amigos no mesmo dia viriam aqui em casa assistir filmes então resolvi postergar a estréia pra mais tarde e apresentá-lo ao povo ainda virgem. Uma bagunça, todos mexeram no trem, ligaram, encostaram na cara, cutucaram uns aos outros. Não, não somos adeptos de orgias nem swing, só viramos crianças com aquele objeto fálico mítico em nossas mãos. Depois que todos se foram, lavei a parada e... Opa! Que que eu faço com isso???

Não vem com manual de instruções. Sexo é fácil. Sexo é só deixar os instintos emergirem e se jogar. Um brinquedo de plástico, à pilhas que fica fazendo bzzzzzzz não é exatamente o que pode-se chamar de instintivo. Então foi tentativa e erro, até que depois de tantos erros um acerto. Aí que eu descobri. Não era igual sexo. Não era igual nada que eu tinha conhecido anteriormente. Era uma terceira coisa. Era melhor ou igualmente maravilhoso como tudo que eu tinha conhecido até então mas era novidade.

Mais que isso foi um recado, uma mensagem: "Não é sua resposta, vai ter que continuar procurando."

*flashback effect off*

Final do ano passado, todas as moças do meu convívio com problemas parecidos. Sendo simples e resumindo grotescamente "não entendo os homens". Eu gosto de escutar, falar, dar minha opinião sobre as coisas. Ah isso eu gosto mesmo. Acabei de fazer isso com um mocinho fofo o qual carinhosamente chamo de Lobo Mau mesmo que ele não queira nem saber porque exatamente eu faço isso e ops, divaguei. Onde eu estava? Ah é! Queria tentar ajudar as moças com seus problemas e meus discursos já não convenciam. Então como eu poderia mostrar, pelo menos pras mais próximas e queridas, que o problema com os homens, com o sexo e as adjacências disso tudo tinham apenas começado? Como funcionou pra que eu conseguisse enxergar isso? Eureka! Encomendei um monte de vibradores para presenteá-las durante os festejos natalinos. Se eu pudesse, compraria um container de vibradores e deixaria sempre no estoque pra ajudar a clarear o caminho de todas que aparecessem com essa nuvem negra sobre os pensamentos. Tenho essa coisa de sisterhood forte em mim. Por mim ajudaria todas as mulheres do MUNDO! Como ainda não sou uma feliz ganhadora da mega-sena selecionei só a nata, só a diretoria, só aquelas que eu acreditei que enxergariam toda a questão através da metafísica dos orgasmos. Por culpa dos chineses (meu novo vício) passou o natal e os presentes viraram história. Os últimos eu entreguei foram a poucos dias.

O que eu não imaginava é que obteria tanto sucesso nas minhas intenções. A maior parte dos feedbacks vieram pessoalmente mesmo, cada uma achando um novo caminho e novas formas de enxergar as coisas, desfazer qualquer tipo de trabalho, desencapetamento completo e devolução de oferendas pro mar. Pra ilustrar melhor o causo temos esse texto da Lizzie, que ficou excelente e marejou meus olhos com lágrimas de alegria e contentamento. As que aqui lêem e estiverem dispostas a escrever sobre o assunto são muito bem vindas.

E o que isso tem a ver com as outras coisas que citei no começo do texto? Calma, digere esse aí que em breve eu explico o resto.

3 Comments:

At 2:43 PM, Blogger Tia Carol said...

Adorei o meu. Serião. E decidi que a partir de agora, ele vai ser meu único e verdadeiro amor. Prá quê levar o porco inteiro se só a linguiça interessa? *mode caminhoneira on*

 
At 3:07 PM, Blogger Carlos Heinecke said...

HSUAIHEUIAHSIUAHEUAHIUSHIEAIH

Essa é a hora em que eu fujo pras montanhas (:

 
At 5:27 PM, Anonymous Pedro Américo said...

UHAuhauahuahUAHaUHauHauHaUH eu simplesmente adorei o texto e passei mal de rir.

e coitados de nós homens..no dia em que entendermos as mulheres, vamos cometer suicídio em massa. pode apostar.

 

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