Uns dias atrás aí eu resolvi tirar a maior parte dos rastros da minha vida que eu mantinha na internet. Scraps e comunidades no Orkut que eu vinha mantendo desde que entrei lá, quando brasileiro ainda era minoria. Fotolog que eu criei quando comprei minha primeira câmera digital. Tirei os comentários antigos aqui do blog e todo o arquivo anterior a esse ano. Não tirei nada do twitter pq descobri q ele não arquiva as coisas anteriores a tipo 6 meses atrás então deixei estar como estava. Sei lá.
Na verdade eu tomei a decisão de largar isso tudo registrado só na minha memória e não ao alcance de "a quem interessasse" porque eu decidi tirar um lance muito antigo da minha vida, um lance que me era muito importante. Eu honestamente não imaginava que essa decisão me faria questionar profundamente quem eu de fato sou, quero, gosto.
Além desse momento rolou uma outra coisa muito sinistra. Uma pessoa igualmente importante pra mim, num rompante de "Deus sabe o que" decidiu me soltar uma frase misteriosa e sumir. Sabe o que é interessante? É que apesar da minha amizade de anos com essa pessoa eu nem o telefone dela tenho pra ligar e perguntar o que houve. O que eu fiz de errado? Por que eu mereci um momento passive-agressive assim, do nada? Se o que tínhamos era uma das bases da minha crença de que "virtual" não se trata necessariamente de "imaginário" ou "inexistente", comecei a ter minhas dúvidas.
E aí um pedido inocente de "mantenha isso um segredo" foi como o primeiro dominó de uma fileira que de repente, assim, agora a pouco, começou a cair dentro da minha cabeça. Por que me dar ao trabalho de ser tão honesta e aberta com esses caracteres que se dizem pessoas? Tenho inúmeros motivos pra ser, que vão de Mariana que conheci no irc, Kenji que conheci no Orkut, Lizzie que conheci no twitter. Isso por que me limitei a dar um único exemplo de cada, poderia citar muito mais nomes de gente linda que conheci e a priori foram caracteres numa tela. Ao mesmo tempo muita coisa ruim e duvidosa que aconteceu na minha vida veio na mesma forma. Como por exemplo aquela noite que eu dormi na rua, numa Curitiba gelada ou do dia em que eu tive que me preocupar em bloquear os caras que tinham me estuprado na noite anterior pra que eles não me mandassem mensagens por IMs.
Eu gosto muito de me fazer de inocente. Meu primeiro namorado sempre dizia que parecia meu sonho ser bonita e burra. Devia ser mesmo porque eu ignorei muita coisa, eu fiz vista grossa pra muita gente, eu engoli muitas meias verdades e em vários momentos fiz de égua. Burra mesmo, eu nunca consegui ser. Sempre fui tapeada e enganada sabendo muito bem aonde eu estava pisando. Dei a faca e o queijo na mão das pessoas e só achei uma pena elas de fato os usarem como eu imaginava que usariam. Tive pena delas terem perdido a oportunidade de me surpreender, terem perdido a chance de se mostrarem melhor do que a bosta que eu via que elas eram.
Perdi o controle disso em algum momento e comecei a ter dificuldade de, ao notar esses traços de mediocridade, privar essas pessoas de me alcançarem. Só as que cometiam coisas muito graves foram afastadas, me viciei em dar segundas chances, terceiras, quartas, quintas... Talvez por medo de voltar a ser a tirana escrota que eu cresci pra ser. Talvez por medo de não conseguir mais sonhar, acreditar, fantasiar que o mundo pode ser de alguma maneira um lugar legal povoado por gente boa.
Agora me cai a ficha de que eu devo estar fazendo tudo errado, porque se eu de fato acreditasse nisso não me rodearia de pessoas ruins nas quais eu me esforço pra enxergar algo que preste. Enfim, eu preciso pensar. Preciso me retirar dessa balbúrdia pra que, de fora, possa olhar pra ela e separar o que me importa nisso tudo. O que tem valor e que eu quero guardar. Me livrar dessa solidariedade patológica e tomar coragem pra mandar muita gente à merda. Ou não, ou concluir que fiquei louca e inventei tudo isso. Só sei que preciso ir à superfície pra respirar.
Volto quando der.

5 Comments:
Nêga...
Eu Te Amo..Apesar de vc recusar minha carona e meu amor...te amo..há 4 anos..
rs..
Nêga...
Eu Te Amo..Apesar de vc recusar minha carona e meu amor...te amo..há 4 anos..
rs..
"Tive pena delas terem perdido a oportunidade de me surpreender, terem perdido a chance de se mostrarem melhor do que a bosta que eu via que elas eram."
Tirou isso da minha cabeça e colocou em palavras, né? É EXATAMENTE ISSO!
Guria,
Puxa. Nessa tua explosão vi bem alem do que eu via nos teus twits de alguem que repulsa os relis humanos e me intimidava. Confesso que aumentei minha admiração instigante por vc.
And trust-me... amigos virtuais, definitivamente não são imaginários.
Venho ler seu blog de vez em quando. Parece que "me leio". Vc flui pelas palavras, é deliciosa de ler. Perturba ver sair do teu texto, tanto de mim.
Onde mando pegar a carteirinha de fã? Bjs, Flávia
Postar um comentário
Links to this post:
Criar um link
<< Home