Sexta-feira, Julho 10, 2009

- Você pararia a sua vida pra se dedicar exclusivamente a catar cueca de marido na sala e cuidar de filho?
- Depende. Estamos falando do Fábio Jr?

Domingo, Junho 21, 2009

And though I still hate school I've almost got my degree...

Enquanto o povo chora/critica/elogia o fim da necessidade de diploma de jornalismo pra exercer a profissão eu enfrento o que seria, teoricamente, o penúltimo período de Artes Visuais. Nunca precisou de diploma pra ser artista, então eu tô lá de bobeira mesmo. Mentira, faço licenciatura então eu posso dar aula em escolas no ensino fundamental e médio, mas honestamente quando eu penso nisso também penso em me matar e pra me matar eu não preciso de diploma.

E a treta da USP? Sabe, eu só acho que não dá pra meter polícia nessas merdas. "Ah, porque os grevistas não representam a maioria dos alunos", tudo bem, basta que a maioria dos alunos se movimente, vote, participe e corra atrás disso como eles fizeram posteriormente, desmascarando o movimento estudantil falido da USP. Incentivar a apatia política, com bombas sendo atiradas dentro do campus, é que não dá, saca?

Lá na UEMG tivemos movimentações esse ano. Primeira vez, desde que entrei lá. Aliás acho que é a primeira vez que existe um DA também. Até hoje não existe um DCE. É que quando trocaram a Escola de Design de lugar sumiram com a documentação necessária pra formar um DCE, e só a encontraram de novo esse ano no porão da FAE, na pilha de "coisas separadas pra serem enviadas pra alguma unidade obscura no interior". A UEMG é uma universidade de muitos campi, tem até esse povo jogado no interior, sem verba, sem qualidade de ensino e sem contatos com qualquer um que possa agregar volume à falta de voz deles. Porque no fundo é isso, nós alunos, todos juntos, berrando, não temos quase voz nenhuma. Quando junta uns 2 cursos inteiros pra reivindicar alguma coisa faz um chiadinho que eles correm pra calar bem rápido. "Ah, mas não ter um DCE é ilegal", num é? Também acho, me disseram isso, mas o que fazer? Como fazer?

A justiça é meio falha nesse ponto. Existem tantas leis e tantas coisas a nosso favor e um caminho extremamente obscuro pra alcançá-las.

O ponto que eu queria comentar é que nessa história toda também houve uma tentativa partidária/sindical de usar a nossa voz em prol das reivindicações alheias. Sorte nossa que tinha eu ali naquela assembléia, bem mais velha, experiente e imponente. Como uma irmã mais velha dei ordem pra que todos meus coleguinhas se retirassem. Uma boa parte deles obedeceram e isso cessou as tentativas de manipulação, pelo menos naquele momento e no decorrer da solução do nosso problema. Não foi nada democrático, note, eu ordenei, fui incisiva e só saíram aqueles que ou confiavam em mim sem maiores questionamentos ou ficaram com medo (é, eu causo isso nas pessoas às vezes). Ao mesmo tempo, alguns ficaram.

Acho que é porque no fundo a maioria dos jovens quer mudar o mundo sabe? Mudar essa justiça dos que podem pagar. Mudar essa coisa do Estado propagandear enganosamente que super investe na Universidade e que educação é uma prioridade. O discurso sindical/partidário é muito bonito e eficaz na tentativa de convencê-los de que alguma dessas coisas é mutável. Eles são líderes e são bons nisso, eu, por exemplo, não sou. Só oscilo entre ser extremamente autoritária e ter boa argumentação e paciência pra explicar e debater as coisas. Ainda tem essa coisa de ser pouco intolerante com burrice excessiva, então no fundo, quem demora demais pra entender ou quem tem um alcance de visão muito limitado eu quero mais é que se foda. Quer fazer piquete pra defender causas sindicais e ignorar seus próprios problemas como cidadão/estudante? Vai lá, beijos e por favor, não me liga.

Mas um dia ainda consigo fazer com que a minha falta de voz seja ouvida. Só nem imagino como....

Quinta-feira, Junho 18, 2009

This world seems like a nice place to visit, but I don't want to live in it.

Outro dia eu tive uma briga com a minha prima por um motivo muito simples. Ela tem mania de odiar classes inteiras de pessoas, numa dessas declarações de ódio gratuito eu me senti incluída e agredida. O pau foi feio, fiquei verdadeiramente ofendida e magoada. Claro, ela sendo minha prima e querida por mim, bastou que se desculpasse e esclarecesse melhor a situação e estamos na boa de novo. Mas isso tudo estou dizendo só para afirmar o seguinte:
Preconceito é uma merda.

É simples assim. Se você tem idéias pré-concebidas sobre um grupo de pessoas por qualquer motivo, se julga as coisas sem reconhecer que talvez simplesmente as desconheça, você está sendo preconceituoso e ridículo.

Sim, ridículo.

E porque estou falando isso, tem esse cara, o @rmaruo, minks meu de tempos de mirc, pessoa pela qual eu nutro um bem querer há anos, e hoje me indicou um podcast. Estava estressada, querendo distrair, aquela coisa de fim de semestre habitual, e segui a dica. Nem mesmo sabia que ele participava do tal podcast, fui descobrir no decorrer do negócio.

Enfim, fui escutando e de repente noto que o podcast é na verdade um grupo de pessoas fazendo gracinha, fingindo que está discutindo pós-modernidade, arte, cinema de arte, Marx, Sartre, o cacete.

Fingindo porque o faziam exatamente como a vovó maligna fazia antigamente pra fingir que falava alguma língua estrangeira:
- blobsblobsblobsblobsblobs.

Exemplo melhor, o que eles falavam soava bem mais como:
- Patinete na agulha fazer bolinha como telefone.

E foi isso por, sei lá, uns 30 minutos para então dizer que estavam imitando um grupo de pessoas que eles denominam Pimbas. Eu acho irônico que esse tipo de atitude venha de um grupo que se auto-denomina nerd. Talvez, se eles tivessem gravado um blablabla desse tipo, dessas pessoas em específico, eles teriam um ponto, ou um argumento, ou qualquer coisa que o valha. O que pareceu, honestamente, é que eles acreditam que as pessoas que discutem os assuntos levantados não falam nada com nada ou que, ainda, não sejam discussões válidas.

Me lembra uma vez que eu e Gu discutíamos qualquer coisa de Spiderman no intervalo na faculdade e uma colega de sala foi embora puta falando que nós dois éramos um saco porque não falávamos nada com nada. A gente realmente estava sendo um saco, porque estávamos entretidos no nosso gibberish e, com isso, a excluímos da conversa. Essa colega, em momento nenhum, se daria ao trabalho de dizer que éramos pseudo qualquer coisa só porque falávamos de um assunto que ela desconhecia, ela não se acha melhor ou pior que ninguém, se falássemos de Miró, por exemplo, ela entenderia e se divertiria com a conversa. São áreas de interesse. Tem gente que gosta de Spiderman e tem gente que gosta de Win Wenders. Tem gente até que morre de rir quando descobre que o primeiro nome do Win Wenders é Ernst porque se lembra de Oscar Wilde.

E tem gente que não entende. E acha arrogância, e acha nada com nada, e critica. Qual a diferença de perder seu tempo lendo sabedeusquantos livros do Tolkien ou ler Nietzsche? É tudo entretenimento e é tudo cultura. Ado, a-ado, cada um no seu quadrado.

Resumindo, eu acho que um grupo de pessoas simulando um determinado tipo de discussão não demonstra que essa discussão é inválida, ou até mesmo non-sense quando realizada por um outro grupo de pessoas. Enfim, o tal podcast continua, e esclarece que se trata de uma demonstração sobre o quanto os tais Pimbas são abomináveis. Uhum, senta lá Cláudia, até agora a única coisa feita foi uma suposta imitação, mas prossiga. Daí começam a comentar como eles são ridículos por terem um código de vestimenta, ou por frequentarem certos lugares, ou por whatever, todos os exemplos eram sinais de que aquelas pessoas tinham certas atitudes/hábitos que os identificavam como um grupo.

Isso vindo de um podcast chamado NerdExpress de um site chamado "Nerd Curitibano". Qual é? É briga de gangue? Eles realmente estão criticando pessoas que se rotulam e que seguem regras sociais e comportamentais para fazerem parte de um grupo? E o rabinho, tá confortável aí bem escondidinho sob sua própria bunda?

Nerd deixou de ser xingamento e virou rótulo de pessoas. Mais ainda, com suas próprias regrinhas, que fofo. Eu me seguro daqui pra não desmaiar de tanta vergonha alheia.

ps. só pra constar, eu não me encaixo na descrição dos tais pimbas, tampouco na descrição de nerds. Posso xingar ces tudo até minha língua cair do alto da minha falta de rótulo.
pps. Notem o terceiro dever da listinha dos nerds, provavelmente é ele que tem feito esses auto-proclamados dizerem tanta asneira sobre os mais variados assuntos internet afora.

Sábado, Junho 13, 2009

OK, se hoje fosse seu último dia de vida, o que você gostaria de me contar, pra valer?

Do Louback.

Se hoje fosse o meu último dia de vida eu não teria nada a dizer. Diferente do que fiz a vida inteira, se hoje fosse meu último dia de vida, eu escolheria o silêncio.

Quarta-feira, Junho 03, 2009

Why is it that you had to say goodbye in your special way?

Alguém que te acha lindo. Alguém que acha o que você faz interessante. Alguém que acha o que você diz legal. Alguém que te admira. Alguém que fala bem de você. Alguém que te defende. Alguém que te deseja. Alguém que quer estar ao seu lado. Alguém pra te fazer companhia. Alguém pra te fazer surpresas. Alguém pra te ligar. Alguém pra te buscar. Alguém pra te levar. Alguém pra encontrar. Alguém que gosta de ler o que você escreve. Alguém que gosta de olhar o que você fotografa. Alguém que gosta de assistir o que você filma. Alguém que gosta de ver o que você pinta. Alguém que quer saber quem você é. Alguém que quer te ver feliz. Alguém que quer te ver realizado. Alguém que quer te ver completo. Alguém que só quer te dar abraços. Beijos. Carinhos. Alguém que quer fazer sexo com você. Alguém que pensa em como seria misturar os genes com os seus e fazer filhos. Alguém que planeja envelhecer com você.

Por que? Meu Deus, por que tanto medo de ser descoberto sendo esse alguém?

Sexta-feira, Maio 29, 2009

Over and out.

Quando eu era mais nova, eu achava que se as pessoas que eu mais amava morressem, eu morreria junto. Eu tinha certeza disso, certeza de que não aguentaria a ausência, as saudades. Uma das pessoas que eu mais temia que se fossem era meu avô Afrânio. Os anos foram passando, ele foi envelhecendo, adoecendo, até que um dia morreu, e nem foi tão duro pra mim. Claro que sinto saudades. Claro que acho coisinhas que me fazem lembrar dele e sentir falta. Mas no fundo foi fácil. Eu tinha consciência de que isso aconteceria e o adoecimento dele foi como um alarme pra mim. Tudo que eu tinha pra dizer, eu disse. Todo o amor que eu pude dar, eu dei. Todo tempo que eu tive pra passar grudada nele, sentindo o cheirinho de talco e fazendo cafuné nos cabelos brancos dele, eu passei.

Eu procuro manter todo o meu amor em dia. Sabe, sempre que eu posso demonstrá-lo aos meus amigos, à minha família, o faço. Deixar as pessoas que eu quero bem sempre cientes de como eu me sinto em relação à elas. Só que de vez em quando não tem jeito. Tenho fases ruins, muito tristes, muito estressadas, e me isolo. Fico monossilábica e meio grossa. Fico distante.

Eu tive meus avisos. Ele me disse o suficiente pra que eu entendesse que estava sendo relapsa. Era fase, eu explicaria depois e ele entenderia. Ele me entendia.

Entendia meus mimimis, minhas frecuras, meu egocentrismo. Entendia o que me doía e tentava me dar conselhos sábios que eu fingia nem estar escutando mas refletia sobre depois. E os planos loucos? "Venha pro Reveillon, vai ter uma festa foda" e eu mudava de idéia. "Venha pro carnaval", "só se você me levar na Sapucaí", deixa pro ano que vem. Tempo é tão eterno. Eu achava que procrastinar um pouco era parte da brincadeira.

Eu precisava de tempo pra explicar que não andava bem esses dias. Eu precisava de tempo pra me jogar nos planos loucos e pra gente ultrapassar essa linha que divide o virtual do real. Termos fotos pra provar, vivências compartilhadas. Eu só precisava de tempo, e eu achava que tinha. Só que eu estava errada.

He's gone.

E eu não disse o quanto ele era importante pra mim. Eu não agradeci toda a ajuda com as minhas dúvidas e inquietações, toda a companhia. Não. Ele só sabe que eu fui uma escrota monossilábica. O tempo acabou antes que eu pudesse explicar.

Sábado, Abril 18, 2009

- E isso mostra pra nós que não precisamos de ajuda do governo pra fazer as coisas acontecerem.
- Mas quem pagou por esse evento?
- Os patrocinadores.
- Quem?
- Estão atrás da camisa. Fulaninha, vira pra eles verem.

Fulaninha dá uma volta de 3 segundos. Quase ninguém viu nada e ainda por cima mudança rápida de assunto.

Entrei no site do tal evento, hospedado, por sinal, no portal do Ministério do Meio Ambiente e colo pra vocês o pedacinho que mostra quem foram os patrocinadores:



E nego se auto-denomina profissional da educação. Fofo. Super educador isso. Não é muito vindo de alguém que deu um chilique absurdo e praticamente nos linchou quando propusemos uma atividade baseada na malhação do Judas para um trabalho que envolvesse arte e folclore uns 2 anos atrás.

O fato é que enquanto as pessoas encararem o Governo como uma coisa destacada delas mesmas nada vai mudar. O governo sou eu, e você, e tudojuntoaomesmotempo. Todo mundo vai lá e bota seu dinheirinho, todo mundo vai lá e escolhe alguém pra escolher o que vai fazer com ele e tomar decisões em geral pra todos nós.

Nós. Decisões pra mim e pra você. E praquela pessoa ali que eu nunca vi na vida também.

Pessoalmente eu acho democracia uma merda, cá entre nós todas as decisões poderiam ser tomadas por mim, tudo ser meu e ia mandar explodir um monte de coisas, mas é bem menos pior, muito mais justo, e muito menos medonho que sejam decisões e investimentos que tenham como objetivo o bem estar da maioria e não só o meu.

Sabe porque?

Por que se não fosse assim provavelmente quem ia mandar nessa bodega não seria eu, nem você, nem aquela pessoa ali e isso seria uma merda.

O pior é que as pessoas não tomam posse e nem, consequentemente, responsabilidade pelo governo que têm. É por isso que a gente vê gente aí de mimimi, por exemplo, dizendo que é super injusto a tia lá da Daslu ficar presa. Acham injusto porque não enxergam que, sonegando, ela bateu a carteira de todo mundo. Você quer que o cara que estraçalhou a janela do seu carro e levou o som vá pra cadeia, mas a tia da Daslu não precisa, coitada. Ela só sonegou e isso não diz respeito a você. Diz sim, meu caro muchacho. Ela tá tomando champagne e comendo queijo brie na sua conta. E você nem tá ficando puto.

Brasileiro em geral acha isso até legal. "Pô, massa, cadê a minha fatia?" E quando tem a chance de abocanhar um pedacinho desse mundaréu de carteiras batidas vai com toda fome do mundo. Quem pensa assim não é só escroto, é patético. Ele acha que tá tendo a maior vantagem do planeta quando na verdade ele não passa de graxa da engrenagem. Na verdade, até ele estaria vivendo muito melhor se não pensasse assim e se não ficasse achando que o bem estar dele está acima do bem estar de todo mundo. Arrogante de bosta. Imbecil. Vai comer merda pro resto da vida achando que tá comendo caviar.

Educadores que perpetuam essas idéias mereciam ir pra cadeia. Educadores deveriam ensinar exatamente o contrário. "O governo é você, e se tá ruim a culpa é sua por não fazer por onde ele ser melhor."

É, a culpa é minha. É sua. É daquele cara ali que já está me assustando, porque diabos ele tá olhando pra cá?

Agora também não adianta correr pro lado oposto. Sair defendendo a qualquer custo. "O governo é meu, mas veja bem, somos perfeitos, eu e o governo." não, não são. Acho lindo que o Lula finalmente tenha chegado lá. Lula-lá. Viva! Mas deu. Um passo já foi dado. Muita coisa melhorou mas estamos a um oceano gelado de distância do ideal. Muita gente se satisfez com o PT no poder e fica por aí tateando cegamente e tentando defender que eles são maravilhosos e qualquer um que criticar qualquer coisa é um enviado do demônio. Não, não é. Melhor não é tudo. Melhor que afundado no esgoto é respirando a cada 2 minutos no esgoto. Ter passado a respirar não te impede de continuar querendo sair. Política não é futebol. Você não precisa escolher um time e defendê-lo até quando ele cai pra segunda divisão. Você não é virafolha se mudar de idéia e se reconhecer errado.

E não venha começar a berrar que sobreviveu à ditadura. Essa palavra desliga minha capacidade de escutar. Foi exatamente o que a tal educadora que eu disse lá em cima usou pra tentar me convencer de que estava certa e eu errada no episódio do Judas. A ditadura acabou graças a gente muito diferente dela, disso eu tenho certeza. Tivesse não sobrevivido então. Definitivamente não fez por merecer. Agora deixa eu ir que aquele cara tá me assustando.

Segunda-feira, Abril 13, 2009

there's no place like home



Há tempos, ao encontrar com um amigo que tinha acabado de voltar depois de alguns anos morando na Alemanha, escutei a seguinte conclusão: em Bh nada muda, você vai embora, anos passam, você volta achando que tudo que deixou aqui se perdeu degradado pelo tempo, mas quando volta está tudo exatamente no mesmo lugar, as pessoas continuam exatamente as mesmas, nos mesmo lugares, fazendo e falando as mesmas coisas.

Me senti uma bailarina empoeirada que rodopia na sua caixa de música antiga e imutável. EU era uma dessas pessoas. Eu estava ali, no mesmo lugar que frequentávamos no passado, sendo exatamente a mesma pessoa que eu sempre fui desde que ele me conhecia. E ele me conhecia desde meus 13 anos. Claro que mudei em muitos aspectos, mas a essência era a mesma. Eu sou parte do cenário de "porto seguro" daqueles que algum dia fugiram daqui. Eu sou um dos personagens dessa metrópole em miniatura que detona nas pessoas o sinal de que elas estão em casa, de que elas estão seguras.

Isso me incomodava profundamente.

Muitos amigos e conhecidos foram desbravar outras realidades. Deles, fica aquela saudade esquisita. Fico feliz que eles estejam lá fora costurando vários cenários diferentes e enchendo as próprias vidas de novas cores, mas sinto uma invejinha de não conhecê-las e nem de agregá-las aos meus próprios retalhos. Nessas horas eu planejo escapadas triunfais, sonho com um milhão de cores que eu imagino existirem, penso e repenso projetos e até coloco uma coisa ou outra em prática. Belo Horizonte tem disso, esse ar de cidade cenográfica, esses milhões de caricaturas, tudo que faz a gente achar, o tempo todo, que precisa fugir pra viver de verdade.

Só pausa quando alguém avisa que está voltando.

Aí é o grito de "Estátua!"

Parem tudo que não é hora de pensar em ir embora. É hora de mostrar como aqui nada mudou. Tipo uma mãe destrancando um quarto pra mostrar pro filho que tudo continua no mesmo lugar. A carinhosa mãe mineira que interrompe o tempo como uma prova de que pra sempre vai manter seu lar intacto. É aí que eu sou, com orgulho, a bailarina empoeirada rodopiando. E quando a pessoa se misturar de novo ao cenário, vestir seu personagem, entrar nas rotinas, a gente recomeça os planos pra fugir. Quem sabe, na próxima, em dupla.

Sexta-feira, Março 27, 2009

Why do you wear that stupid bunny suit?

Acho difícil ter tempo pra tudo. Por exemplo, hoje eu usei todo meu tempo livre no fim da tarde pra ficar linda e acabei me atrasando pra faculdade. Sabe, mil produtos pra embelezar seu cabelo, sua pele, tomam um tempo danado. Ficar rica também. Se eu quero ficar mais rica eu preciso trabalhar mais e aí eu tenho menos tempo livre. Eu me divirto menos. Eu tenho menos tempo também pra ficar mais inteligente e criativa. Meu trabalhos da faculdade estão todos atrasados. Todos.

Isso me dá vontade de fechar o bloco de notas que eu uso pra escrever essas linhas e ir escrever um roteiro maravilhoso que vai me levar à fama e aos prêmios de cinema (se não isso, pelo menos me leva a passar numa matéria sem me sentir medíocre). Mil textos, sobre mil assuntos, ficam atrapalhando minha concentração quando estou ficando mais rica, ou mais bonita, ou mais inteligente. Às vezes eu acho que não dá pra ser mais nada e ter um blog ao mesmo tempo.

Nem um twitter. Quanto mais eu twitto menos eu sou mais alguma coisa. Quanto mais twitter menos vida. Vida?

Que vida é essa gente? Quanto mais eu faço mais eu quero fazer, aí eu não consigo e no fim, mesmo tendo feito um monte de coisas me sinto frustrada porque não fiz tudo.

E as pessoas? Antes eu achava que as pessoas eram suficientemente valiosas pra furarem a fila das prioridades... Tolice minha. Pessoas em geral não valem muita coisa, pelo menos a maioria delas. Tem umas lindas que fazem a gente pular fora dessa engrenagem esmagadora da vida e dar ótimas risadas. Outras fake it. Faking it. They just fake it.



Eu sinto um pouco de pena delas. Porque se já é chato pra cacete seguir o ritmo natural das coisas imagina segui-lo com uma mascarona na cara te impedindo de respirar? Deve ser pior.

Acho que o ano passado existiu na minha vida pra que eu aprendesse a não tentar compreender o baile de máscaras. Na verdade, até outro dia, eu achava que tudo estava acontencendo pra que eu aprendesse a compreender. Eu achava que tinha sido violada, não só emocionalmente como também fisicamente, pra aprender a relevar, a não me doer tanto quando tivesse a confiança quebrada.

Agora que eu finalmente cheguei lá, agora que o couro é grosso demais pra sangrar, e arder, e doer, eu vejo que na verdade não era bem isso. Não era só que eu engrossasse e suportasse mais facilmente as facadas. É pra não doer e, em seguida, mandar à merda. Difícil esse trem de mandar à merda. A gente de repente se aproxima e deixa se aproximarem pessoas tão lindas, tão agradáveis, tão fofas, é difícil de enxergar que errou, julgou mal, deu pérolas a porcos. Deu verdades a fingidores. Difícil mesmo, mas a gente dá. Finalmente, graças a Deus, graças a tudo isso que faz a gente aprender mesmo que bata a cabeça um monte, manda à merda. E eles vão.

28 days... 6 hours... 42 minutes... 12 seconds. That... is when the world... will end.

Domingo, Março 08, 2009

If I could fly high above the world, would I see a bunch of living dots spell the world stupidity?

- Somos parecidos...
- Sabe aquilo de você ver que está sozinho? De, por onde olhar, ver que não tem ninguém por perto que combina contigo?
- Aham, sei exatamente....
- Não sei se é o Amazonas, ou eu que sou esquisito...
- Acho q a humanidade é assim
- ...
- Tipo, você pode até ficar achando que é aí, que quando você sair daí vai ser diferente, a gente sempre acha que é alguma coisa que está sob o nosso controle e que se a gente pudesse mudar essa coisa resolveria, mas é ilusão.
- Pode ser, mas eu to disposto a tentar... Mesmo porque não aguento mais ouvir boi aqui por perto...
- Cara, mas aí é que tá! Então suponhamos que você chegue lá e aí, sei lá, mude pra Sp. Os problemas poderão não ser os mesmos saca? Mas não deixarão de ser problemas.
- ...
- E você sempre vai se sentir sozinho e inadequado. Por isso eu acho que a resposta não está em tentar saciar a solidão, nem em tentar se adequar... Está em matar o que você sente. Você vai continuar sozinho e inadequado, só não vai mais sentir.
- Bem, pelo menos não me sinto tão sozinho quando sei que tem alguem com quem dá pra conversar sobre isso na boa. Que não seja ninguém que pense que isto é opressão do capeta.
- Tá falando de mim?
- você é a pessoa que me entende...
- Então você tá falando que eu sou tipo, sua esperança? Sua libertação?
- Talvez....
- Se eu fosse de fato você estaria a caminho do meu encontro. Nem que estivesse na beira da estrada pedindo carona. E sabe porque você não está?
- Não, por que?
- Porque no fundo, no seu íntimo, você sabe que eu não existo.
- ...
- Eu só existo dentro da sua cabeça.


Zegço nevroso. (Parte 1)

Alguns acontecimentos recentes andam convergindo pra esse assunto. Seja por causa da repercussão dos meus presentes de natal, por causa dos comentários que eu teci sobre o Mezenguinha compartilhar um manual de sexo no GReader, por causa da coluna que o Gravata escreve pro portal Delas ou por causa desse site, só pra citar os acontecimentos mais marcantes, tenho refletido muito sobre o assunto.

Na verdade talvez o caso nem seja exatamente sobre sexo pura e simplesmente, e sim sobre como as mulheres lidam com sua sexualidade nos dias de hoje. Apesar das minhas conclusões sobre cada um dos acontecimentos se embaralharem e terem muito a ver umas com as outras não é exatamente como se eu conseguisse explicá-las todas em poucas linhas de uma vez, então senta que lá vem história, pra começar:

O causo do vibrador.

Alguns anos atrás, 2007 eu acho, eu conheci um cara super maneiro numa noite no bar com as minhas amigas. Bonitinho, papo interessante, e enquanto discutíamos fervorosamente sobre política já estávamos cada um com as mãos acariciando as pernas do outro. Da mesa pra cima o papo era sério e o mundo achava que brigaríamos, mas por baixo da mesa a possibilidade de terminar aquele conflito num lugar mais reservado era quase certa. Foi o que aconteceu e foi sensacional. Uma daquelas noites marcantes sabe? Memorável. A surpresa veio alguns dias depois, eu tinha sido cúmplice do cara numa pulada de cerca, ele tinha namorada. Nunca tive problemas com sexo sem comprometimento só que isso não significa que eu ache de bom gosto ser parte de uma traição. Era um mistério pra mim como os homens conseguiam separar tão friamente sexo de amor. Achei que o erro estava em mim e acabei decidindo que separaria também.

Com a idéia fixa em viver uma relação puramente sexual acabei conhecendo o Trepê. Trepê era lindo de encher os olhos, mas um tapado. O sexo era ótimo, mas as conversas antes e depois eram um sacrifício pra mim. Fiz "o macho" e superava cada burrice que ele dizia ficando surda enquanto imaginava ou relembrava as vantagens que aconteciam entre uma tortura e outra. Até que um dia Trepê resolveu ficar romantiquinho e aquilo me irritou profundamente. Quando eu abria o coração pra possibilidade de conhecer um cara lindo e tarado com o qual eu poderia construir uma relação mais profunda e complexa eu era tratada como um delicioso pedaço de picanha ao ponto num churrasco da galera. Ao mesmo tempo quando eu aceitava a lei do açougue e me servia com a intenção de me fartar era interrompida com o discurso do "Oi, eu não sou um pedaço de carne". Me neguei a ter essa conversa. Eu sou cretina mas não tenho sangue de barata. Não conseguiria, nunca, tapear o garoto e convencê-lo de que ele era sequer humano pra mim. Também não tinha a intenção de dar uma facada na auto-estima dele e jogar na mesa todos os motivos que me levavam a não querer nada mais que aquilo com ele. "Tá tarde, eu preciso ir, a gente conversa isso outro dia tá?"

No taxi já comecei a tentar achar uma solução pro meu paradoxo carnal-sentimental e naqueles 7 minutos de trajeto até chegar em casa já tinha decidido: Desisto de homens, vou comprar um vibrador.

Assim que cheguei entrei na internet, bloqueei o Trepê dos meus IMs e encomendei a solução dos meu problemas. É, eu sei, tolinha...

Alguns dias depois chegou. Meus amigos no mesmo dia viriam aqui em casa assistir filmes então resolvi postergar a estréia pra mais tarde e apresentá-lo ao povo ainda virgem. Uma bagunça, todos mexeram no trem, ligaram, encostaram na cara, cutucaram uns aos outros. Não, não somos adeptos de orgias nem swing, só viramos crianças com aquele objeto fálico mítico em nossas mãos. Depois que todos se foram, lavei a parada e... Opa! Que que eu faço com isso???

Não vem com manual de instruções. Sexo é fácil. Sexo é só deixar os instintos emergirem e se jogar. Um brinquedo de plástico, à pilhas que fica fazendo bzzzzzzz não é exatamente o que pode-se chamar de instintivo. Então foi tentativa e erro, até que depois de tantos erros um acerto. Aí que eu descobri. Não era igual sexo. Não era igual nada que eu tinha conhecido anteriormente. Era uma terceira coisa. Era melhor ou igualmente maravilhoso como tudo que eu tinha conhecido até então mas era novidade.

Mais que isso foi um recado, uma mensagem: "Não é sua resposta, vai ter que continuar procurando."

*flashback effect off*

Final do ano passado, todas as moças do meu convívio com problemas parecidos. Sendo simples e resumindo grotescamente "não entendo os homens". Eu gosto de escutar, falar, dar minha opinião sobre as coisas. Ah isso eu gosto mesmo. Acabei de fazer isso com um mocinho fofo o qual carinhosamente chamo de Lobo Mau mesmo que ele não queira nem saber porque exatamente eu faço isso e ops, divaguei. Onde eu estava? Ah é! Queria tentar ajudar as moças com seus problemas e meus discursos já não convenciam. Então como eu poderia mostrar, pelo menos pras mais próximas e queridas, que o problema com os homens, com o sexo e as adjacências disso tudo tinham apenas começado? Como funcionou pra que eu conseguisse enxergar isso? Eureka! Encomendei um monte de vibradores para presenteá-las durante os festejos natalinos. Se eu pudesse, compraria um container de vibradores e deixaria sempre no estoque pra ajudar a clarear o caminho de todas que aparecessem com essa nuvem negra sobre os pensamentos. Tenho essa coisa de sisterhood forte em mim. Por mim ajudaria todas as mulheres do MUNDO! Como ainda não sou uma feliz ganhadora da mega-sena selecionei só a nata, só a diretoria, só aquelas que eu acreditei que enxergariam toda a questão através da metafísica dos orgasmos. Por culpa dos chineses (meu novo vício) passou o natal e os presentes viraram história. Os últimos eu entreguei foram a poucos dias.

O que eu não imaginava é que obteria tanto sucesso nas minhas intenções. A maior parte dos feedbacks vieram pessoalmente mesmo, cada uma achando um novo caminho e novas formas de enxergar as coisas, desfazer qualquer tipo de trabalho, desencapetamento completo e devolução de oferendas pro mar. Pra ilustrar melhor o causo temos esse texto da Lizzie, que ficou excelente e marejou meus olhos com lágrimas de alegria e contentamento. As que aqui lêem e estiverem dispostas a escrever sobre o assunto são muito bem vindas.

E o que isso tem a ver com as outras coisas que citei no começo do texto? Calma, digere esse aí que em breve eu explico o resto.