Me dá nos nervos esse papo de "poxa vida mas e a depressão hein mal do século vai matar todo mundo" e ao mesmo tempo as pessoas não se preocuparem em tratar as outras pessoas com educação, respeito e, quem sabe até, carinho.
Por que a origem dessa conclusão "eu não pertenço a esse mundo" e, ou, "estaria melhor morto" não é culpa do sol que nasce ou da noite que cai ou da fauna, flora e toda natureza conhecida e seus variados climas. A origem são as pessoas. É a sociedade. Tem gente que prefere deixar de existir a jogar esse jogo doentio de viver em sociedade.
E muita vezes é por isso que o indíviduo se mata, porque o resto dos humanos são tão repugnantes que dá asco de tentar se encaixar.
Apenas isso.
REPUGNANTES
Noites estreladas, orelhas mutiladas...
terça-feira, abril 02, 2013
domingo, fevereiro 03, 2013
Se ela nunca será 100% mulher, eu também não.
Acompanhando as postagens da Semana da Visibilidade Trans no Blogueiras Feministas eu passei todos esses dias mergulhando na questão da transexualidade e lendo, vendo, ouvindo tudo sobre o tema que aparecia na minha frente. A gente imagina que existam diferenças gritantes entre ser trans ou cis, até porque na representação das pessoas trans dentro da nossa cultura, nas raras vezes que não despenca diretamente na negação, ignorando a existência dessas pessoas, parte para a caricaturização.
Eu nunca tive uma amizade ou convivi muito intimamente com nenhuma trans, mas eu sempre gostei delas.
Lá pelos 15 anos eu conheci e virei fã do moço que trabalhava no brechó perto do colégio, eu e algumas amigas. Ele devia odiar a gente, afinal, ele era adulto e aquelas adolescentes malas penduradas na loja dele o dia inteiro deviam encher o saco.
Era uma pessoa fascinante, durante o dia ele era simplesmente o homem mais elegante, educado e bem vestido que eu já tinha visto na vida e na noite ele se transformava na femme fatale mais sexy dessa cidade.
Quando eu descobri que ele e ela eram a mesma pessoa, é engraçado, eu não me lembro de ter pensado nada em relação a sexualidade dele, com quem ele transava ou deixava de transar, mas sim que ele sabia ser mulher e que "quando eu crescesse" eu queria ser uma mulher tão foda quanto ele. Pelo meu jeito, pelas críticas que eu recebia, pelos "não é assim que se comporta uma garota", ao 15 anos eu não achava que eu conseguiria me tornar uma mulher algum dia.
Louco isso, né? Porque fica parecendo que porque eu nasci com uma vagina e um útero e uns ovários, tava tudo resolvido, eu era mulher e pronto, só que eu nunca me senti assim. Pelo contrário, na adolescência eu achava que ser mulher era a coisa mais difícil do universo e que já que esse moço sabia ser tão bem, melhor que qualquer uma que eu conhecia, quem sabe ele poderia me ensinar.
Aí era aquela chateação diária, todo dia batendo lá na loja e implorando:
- Me ajuda, por favor!
A insistência foi tanta que ele acabou cedendo. Dava uns tapas na minha boca quando eu falava palavrões, me reprimia quando eu sentava de pernas abertas, me ensinava a usar certos sapatos, bolsas, saias, acessórios.
Eu aprendi um monte. Saía toda montada, tinha toneladas de maquiagem, sempre em cima do salto, claro que tudo isso do meu jeito. Chegava em casa com a meia fina toda rasgada, sapato na mão, maquiagem borrada, mas por algumas horas eu até sustentava o visual, só desistia lá pela metade da noite.
Quando a gente caía na mesma balada era até deprimente, ela lá, mais sensacional que a Angelina Jolie e eu parecendo um ogro de batom, mas era nela que eu me espelhava. Saca onde eu quero chegar?
Ser mulher é um negócio muito esquisito.
As cobranças, as expectativas que existem em cima da gente são surreais.
O que é ser mulher? É o jeito de se vestir? É como se comportar? É a pintura no rosto?
Do ponto de vista cênico, da presença visual, da interação social, não havia outro exemplar de mulher tão perfeito quanto aquele que eu escolhi seguir.
Era isto que a mídia, meus colegas, meus familiares, esperavam de mim e que eu falhava em entregar naquele momento da minha vida.
Voltando aos dias de hoje, 16 anos depois...
Eu abandonei aquela expectativa visual-comportamental. Só tenho maquiagens que me agradam, o que implica em não ter nenhum batom, apenas um gloss transparente que eu roubei da Liz e algumas centenas de itens pretos que eu esfrego desleixadamente nos olhos de vez em quando. É o que eu acho bonito, fazer o que? Uma sandália de salto, uma sapatilha, algumas botas e duas dezenas de tênis e havaianas. Sento com as pernas abertas, ou fechadas, tanto faz, geralmente eu visto calças mesmo. Bato na mesa e despejo palavrões como confeitinhos coloridos em cima de sorvete. Mas eu gosto de perfume de baunilha e cabelos compridos e vermelhos.
Será que isto é ser mulher o suficiente?
Outro dia eu caí nesse tumblr maravilhoso: Sasha, a leoa de juba. Em primeiro lugar: Inveja, muita inveja do talento dessa guria. Desenhos lindos, timing perfeito, temática genial. Segundo: identificação. Eu sei que eu não sou leoa, me imagino mais uma ursa, não tenho juba, mas, dentro de um espectro, eu enfrento situações muitas vezes parecidas com as da Sasha. Há nesses quadrinhos uma representação exata de "ser mulher". As armas que usam contra a Sasha são as cobranças descabidas, e cara, mesmo sem juba dá pra entender o quão desagradável é isso. Dá pra viver isso. Dá pra saber o quanto dói.
Então, na clicação nossa do dia a dia, eu caí em um video de uma guriazinha trans mostrando o processo de arrumar o cabelo e fazer a maquiagem que ela faz todos os dias pra ir pra escola. É bem interessante, adoro esses videos que mostram arrumação de cabelo e maquiagem, não uso nada, por motivo de preguiça, mas curto ver. Entre os comentários um babaquinha solta:
- Seu bigode está aparecendo.
E a vontade que eu senti era simplesmente de dizer "acontece comigo também". Acontece com a Mindy Kaling, tem uma piada sobre isso na série dela. Acontece com a Tatá Werneck, ela comenta sobre isso numa entrevista que deu pra Marília Gabriela. Isso acontece. Cis ou trans, mulheres tem bigodes, e às vezes eles fazem uma sombra no rosto, durma com isso. Umas tem mais, outras tem menos, mas eu nunca vi não ter. E a Zooey Deschanel tem tantos pelos no rosto que parece um pêssego. Um doce e maravilhoso e delicioso pêssego. Beijos Zooey, te amo.
Essa é a sensação.
É a sensação de que cis ou trans a gente tá no mesmo time. A gente joga com a mesma camisa.
As expectativas sobre "ser mulher" são altas, duras, e geralmente inalcançáveis.
Eu não estou querendo aqui ignorar meu privilégio e fazer pouco, desconsiderar, ou diminuir a gravidade das merdas preconceituosas que as trans passam. Só pra deixar isso claro. O que eu quero dizer é que estamos no mesmo barco e nós, cis, estamos deixando as colegas serem forçadas a andar na prancha e acabarem jogadas aos tubarões.
Ser mulher não é não ter pelos no rosto. Isso é uma visão masculina. A gente tem perna cabeluda, tira meleca, solta pum, antes de ser mulher somos humanas. Tá bom que em geral espera-se que mulheres depilem, sejam educadas, escondam umas coisas na cara com corretivo, mas tudo isso é opcional.
E ser homem?
Aí eu caí em uma entrevista do João W. Nery. Ele é um homem trans. Eu acho legal assistir a entrevista porque o termo "homem trans" vem carregado de um preconceito de que se trata de uma mulher vestida de homem. Desculpa, esse cara não é uma mulher em nenhum aspecto. Nenhum. Eu não preciso vê-lo nu e checar o órgão sexual dele pra concluir isso. [modo pesquisadora de cinema ON] Eu até entendi uma das coisas que me incomodam naquele filme "Boys don't cry", há uma exploração de cenas do Brandon nu, do Brandon menstruando, pra que ninguém nunca se esqueça de que o Brandon não era um "homem". Como se fosse isso que define um homem, e não é. O João até comentou que sonha que seu livro se torne um filme e eu torço pra que seja um filme mais sensível nesse ponto. É claro que eu compreendo que há um desconforto com esse corpo que não reflete a verdade dessa pessoa, mas a abordagem cinematográfica disso pode ser mais eficiente, como, por exemplo, no filme "Normal".
Enfim, isso tende a evoluir dentro do cinema. Retratar trans está em experimentação, já que ainda não há representação dentro da indústria cultural o suficiente. Se não há representação é muito difícil fazê-lo com naturalidade. Só pra frisar, retratar mulheres, em geral, também não é fácil. Sempre peca sendo mais sobre uma percepção, geralmente bastante distorcida, que sobre realidade.
De novo, quem é essa tal mulher? O que é ser mulher? Porque a visão da mulher que é reverberada na indústria cultural é uma visão exterior, é a visão masculina. [modo pesquisadora de cinema OFF]
Depois eu caí no blog dessa moça, delícia de blog. Diarinho, questionador, expõe os preconceitos que a autora vive no dia a dia. Daí vai crescendo a raiva. Não, sério.
Quando ela conta que no consultório médico a chamam pelo nome masculino dá vontade de ir lá e dar na cara de quem fez isso. Chega a ser insensato! Você tá ali, de cara com a mina, e fala "ô Daniel", é claro que você come cocô. E do jeito que ela conta dá pra perceber que tem gente que faz isso pra cutucar, pra desrespeitar mesmo. Que direito é esse que as pessoas imaginam ter?
E o final foi que eu saí caçando um monte de coisas sobre a Lea T.
E aí a gente chega no ponto que realmente me levou a escrever esse post.
Eu fui vendo entrevistas por ordem cronológica, as primeiras, quando ela começou a ficar famosa, as do meio, antes da cirurgia, e as recentes, pós cirurgia. Adorei a Lea, ela é linda, inteligente, articulada, charmosa, e principalmente, extremamente carismática. Fiquei fã.
Até que no final, bem no finalzinho, na última entrevista, a tal fatídica entrevista do Fantástico, ela diz:
- Eu nunca vou ser 100% mulher.
Porra, Lea. Se VOCÊ nunca vai ser 100% mulher, sabe quais são as minhas chances de ser? Nulas.
Acho que foi isso que eu tirei da Semana da Visibilidade Trans. Quando eu observo, quando eu ouço, quando eu percebo as mulheres trans o que eu enxergo é um espelho. Quando alguém xinga uma mulher trans está, indiretamente, me ofendendo. Um gene, um órgão sexual, um pomo de adão, nos diferencia tanto quanto uma cor de pele, um peso, uma altura, um cabelo, um movimento. Somos todas a mesma coisa, que eu ainda não sei direito o que é, mas que é chamada mulher.
sexta-feira, fevereiro 01, 2013
- Eu me identificava com ele, porque ele foi uma das únicas pessoas ali que falava o que considerava verdade. Não era nem que concordássemos, nossas opiniões são diferentes, mas a coragem com a qual ele as colocava me faziam, sei lá, me identificar com ele.
- Entendi, você está me dizendo que ele era politicamente incorreto.
- Não, não... Socialmente inaceitável. Politicamente até que somos bem corretos. Incrível isso, como alguns aspectos da existência em sociedade exigem que certas coisas nunca sejam ditas, ainda que sejam politicamente corretas.
quarta-feira, janeiro 30, 2013
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
Leopoldo pediu, eu atendo. (Leopoldo é Leohpold? Meu Leozinho querido, meu companheirinho, Leozinho pimpão? Ou terá sido apenas um golpe de sorte? Se outro nome pedisse post novo eu tentaria escrever? Jamais saberemos.)
Desanimei do treco de postar sempre, é foda, a vida acontece, a cabeça dói, o trampo começa a arrancar a vontade de viver. Enfim, essa angústia diária que nos aflige.
Não, Ton, relaxa... Não é assim um fim do mundo. Pelo menos não literalmente.
Falando nisso, o mundo acabou um pouco, de novo, né?
Incêndio.
Incêndio tem seu clima de inferno. O teto queimando pingava fogo, em poucos segundos já não se respirava. É um cenário que não consigo imaginar nem em meus piores pesadelos. Fogo é uma das coisas que mais tenho medo.
Domingo eu fiquei sabendo que o Profeta Gentileza "emergiu" em uma tragédia similar: um incêndio no circo onde morreram centenas de crianças. A lenda é maior que o homem. Tudo indica que a gentileza só gerava gentileza dentro de um espectro, que o indivíduo em questão era extremamente misógino e assustava as criancinhas. Não é uma área da arte que me interesse muito, essa arte do amor incondicional à humanidade sempre me deu um pouco de preguiça.
Essa pregação de paz, compreensão e amor entre os homens sempre peca pelo recorte. O enquadramento só atinge o lado bonito das coisas e ignora a dualidade. Há o claro e o escuro, o bom e o mau, o certo e o errado, o yin e o yang, o calor e o frio.
Ou se ama ambos ou não se sabe o que é amor.
É um discurso tão falho que me incomoda nos ossos. Tinha um cara na tv, agora a pouco, que o ficava repetindo ad infinitum. Artista, diz ele. São quem queima o filme dos entusiastas da arte: os "Profetas Gentilezas". Declamar esse discurso entrega uma enorme incompreensão e desconhecimento não só da humanidade, mas de si mesmo. É como um ser incapaz de olhar no espelho e enxergar o que ele mostra. Eu me pego pensando como diabos alguém consegue mergulhar nessa experiência profunda que é a fruição da arte e sair seco. Enxuto. Árido.
É importante enxergar o desprendimento e a generosidade de guris, com suas roupas amarradas no rosto, se enfiando de novo no inferno pra resgatar almas. O ser humano é bom e corajoso. Em contrapartida, precisa-se ignorar e fazer vista grossa pros detalhes que entregam que quem tinha treinamento e equipamento pra fazer o resgate não o fez?
"Os bombeiros ainda não estavam entrando. Eu puxava as pessoas e levava até eles do lado de fora"
O ser humano é tão bom, quanto é mau, né Rosi? Tem quem coloca a própria vida em risco tentando apagar o fogo, e tem quem acende o fósforo. Tem quem, como eu e a Rosi debatemos umas semanas atrás, acende o fósforo e chega com a mangueira.
Ahh humanidade...
Acho difícil, tão difícil, amá-la e aceitá-la como ela é. Acho difícil porque continuo tentando. Quem grita que ama se cansou de tentar.
Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
(...)
E o coração está seco.
sexta-feira, janeiro 04, 2013
A história do reveillon.
Reveillon sempre foi uma merda pra mim. Não sei porque mas toda aquela vibe de 'ano novo vida nova' nunca funcionou muito bem comigo. Me lembro de vários reveillons em que eu, bem novinha, criança ainda, passava chorando porque achava tudo muito ruim. Acho que é o tal do balanço do ano que passou que sempre atiça minha ansiedade. Aí vieram os acontecimentos traumáticos de reveillon. Meu primo escroto fingindo pros amigos que não me conhecia por motivo de "eu não tenho prima gorda", o deslizamento em Angra que levou meu amigo, isso só pra citar os piores. Nunca foi bom.
Aí em 2011 o Fábio Jr me resolve cantar no reveillon popular da pbh.
Eu já tinha ido a um show do Fábio com os gostosos do Belico e da Campolina. Foi maravilhoso. Nós e as tias berrando e chorando curtindo muito tudo aquilo. Tinha perdido o show de 2010 porque foi no mesmo dia do casamento da minha irmã. Eu simplesmente TINHA que ir no show do reveillon, vencendo todos meus preconceitos com eventos populares, porque eu tinha certeza que nada seria melhor que ver o Fábio cantarolando nos meus ouvidos ao vivo novamente.
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| Os mais lindos. Esqueci de contar que o Fiuk também tava. |
Peguei os ingressos trocados por um quilo de alimento e falei pra Liz: Se você não for comigo, eu vou sozinha.
No fundo eu já tava pronta pra ir sozinha. Até parece que alguém em sã consciencia vai no reveillon da pbh por vontade própria. Mas essa menina é incrível, se vestiu de flamingo, e fomos. Foi sensacional.
MELHOR.REVEILLON.DA.HISTÓRIA
Choramos com o Fábio, abraçamos os populares, dançamos na chuva durante todo o show do Paralamas.
Foi foda.
Aí passam-se 330 dias e emerge a pergunta: como fazer esse ano?
Não tinha show do Fábio, não tinha nem reveillon da pbh. Entrei na internet e encontrei uma lista de todos os shows de reveillon programados, em busca do mais surreal.
LATINO.
Simplesmente LATINO.
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| Maior showman do Brasil. |
Foi um trampo convencer a Liz de ir comigo. Porque Fábio era fácil. Fábio ela sabia que eu amava e que eu realmente ia mesmo que tivesse que ir sozinha. Mas Latino era brinks. Era zuera.
Convenci. Não foi tão perfeito e maravilhoso porque os populares não eram tão populares assim. Tem essa divisão social incrível, onde as pessoas pobres são lindas e maravilhosas e dá vontade de amá-las pra todo sempre, enquanto as pessoas de classe média baixa são apenas extremamente mal educadas. Não que classe média alta ou ricos sejam tão diferentes assim, também, quando agrupados, se tornam seres insuportáveis e mal educados. Porém sempre evitei essas aglomerações por conhecimento de causa. Boa parte dos péssimos reveillons que eu relatei no início do texto foram no Minas Tênis Clube, eu sei que esse povo é asqueroso. Passou da hora dessa galera perceber que não adianta comprar roupinha nova e sapatinho da moda pra ser elegante. Pode até se vestir de mendigo se tiver educação e respeito ao próximo.
Enfim, deixando de lado as pessoas, o show do Latino foi genial.
G.E.N.I.A.L
Sério, mil shows de luzes, explodia uns confetes, o cara canta umas duas horas, tinha o robô do latino, que era um cara de perna de pau com uma roupa de leds, enfim. Só coisa linda.
Essa coisa de shows populares é sensacional, porque esses caras tem a manha de dominar um palco, comandar uma platéia.
E o Latino não canta Latino. Ele não cantou 'Baby me leva', o que eu considero um enorme contra. Mas canta essas porcarias todas na boca do povo, tchetcherere. ai se eu te pego, eu sei fazer o lelele, se eu te pego ahn ahn, agora eu fiquei dodododoce, TODAS.AS.PORCARIAS.
E muito OIOIOI. E Anna Julia. E pluctplactzum. E para a nossa alegria.
Não foi perfeito, poderia ser melhor se não tivessem velhas malucas jogando cerveja nas costas das pessoas, mas tenho certeza que foi o melhor reveillon possível.
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| Quem não viu meu show é LOSER |
Daqui a 330 dias eu procuro mais um show pitoresco pra passar de um ano pro outro. Taí uma fórmula de sucesso.
ps. E já deu das pessoas reagirem com "VOCê????" quando eu informo o que farei/fiz com meu reveillon. O reveillon é meu e eu assisto a tosqueira que me interessar.
sábado, dezembro 29, 2012
quinta-feira, dezembro 27, 2012
Reflexões pós-natalinas com um pouquinho de insolação.
Uma coisa não estava prevista no meu projeto diarinho: um calor tão insuportável que eu não consigo ficar 15 minutos na frente do computador.
E nas férias, né? Computador pra que?
Dias inteiros naquela rotina... Esquenta no sol, esfria na água. Ficando da cor do pecado.
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| Cor do pecado. |
Enfim, as festas natalinas, que aqui em casa envolvem as comemorações do aniversário da minha mãe, a partir do dia 20, foram imprevisivelmente tranquilas. Nenhuma treta. Nem um gritinho. Minha vó maligna continua maligna, maligna pra caralho, mas acho que é isso aí, é acostumar ou desistir. Ainda é um bocado doloroso olhar pra ela e lembrar de tudo que ela me fez. Daí um dia ela vai morrer e foda-se. As pessoas são o que são. Tem gente que é escroto pra cacete. Tipo ela. Vai morrer assim, escrota.
O chato das pessoas escrotas é que o mundo é traiçoeiro. Enquanto uma pessoa escrota tem moeda de troca, surgem pessoas pra levar um trocado enquanto fazem de conta que a pessoa não é tão escrota assim. Aí quando, por qualquer motivo, uma pessoa escrota perde o "capital de giro", como no caso da minha vó, fica assim. Abandonada. Gente que não tem amor porque não sabe amar. Nunca teve que amar antes na vida. Achou que a graça era manipular todo mundo ao redor. Se fudeu. Dá pena, é uma cena bem triste.
Daí ficamos todos aqui em casa fazendo de égua, suportando, só porque ninguém tem sangue frio o suficiente pra largar às traças. Pelo menos essa sorte ela deu. Criar uma família que não é tão escrota quanto ela. Senão tava lá, suja, sozinha, morrendo num asilo.
E não é sobre dinheiro. Apesar de ter usado termos financeiros as moedas de troca são muitas. A regra é não saber amar. Não se envolver profundamente. Ficar só na superfície, com sorrisinho ensaiado, presentinho, puxação de saco gratuita.
As pessoas não são bonitas por dentro. Nenhuma pessoa. Eu, por exemplo, de perto, sou o Hulk. O Dr. Jekyll e o Sr. Hyde. The beast within.
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| Muito prazer, e seu nome qual é? |
Mil anos de terapia, tentando matar o monstro, pra entender que o monstro não morre, e nem pode morrer, porque ele também sou eu. Não há como matar uma parte de você sem matar o todo. Não há como matar o monstro sem suicídio.
E quem quer levar tem que levar o pacote completo. Me ama? Então dá aqui um abraço.
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| Não, brigada. Era brinks. |
Não pode abandonar o monstro, não pode bater no monstro (porque ele bate de volta), não pode fingir que o monstro não existe, não pode correr do monstro (pelo menos, não sempre, só de vez em quando). Todas essas são diferenças irreconciliáveis.
É um monstro feio, grande, que rosna e baba, mas não morde sem motivo. Não morde por outro motivo que não seja pra se defender.
Se defender.
Gente escrota não. Gente escrota apronta um monte sem levantar a voz. Fode com a sua vida e você às vezes nem vê. Gente escrota é sorrateira, faz tudo pelas costas. Gente escrota aproveita uma oportunidade sozinha com seus bichinhos de estimação pra matá-los.
| Glenn Close te ligou, Vó. |
Daí a gente tem a vida pra escolher, se gosta mais de gente imperfeita ou de gente vantajosa. Cada um leva o que quiser. No decorrer da vida, quando a mesa vira, quando o jogo muda, bom... Aí cada um que lide com suas escolhas, né?
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| Não rosno, nem babo. Vem ser meu amigo. |
Depois não adianta chororô. Não adianta fazer cena gritando e chorando "QUE QUE EU FIZ???". Minha vó faz isso. Finge que não entende o que aconteceu. Mas as mentiras podem convencer a qualquer um, menos a ela mesma. Por que ela sabe o que fez, sabe como levou a vida, e infelizmente, quando você percebe que criou uma merda infinita e que está afogando nela, não rola de zerar a vida e começar de novo. Você fica lá, com 80 e poucos anos, quem te amou algum dia se esforçando pra olhar na sua cara, por que é doloroso olhar na cara de quem te machucou tanto, e quem fingia jogar o seu joguinho já tomou quilômetros de distância porque sabe que você é uma escrota, e muitas vezes é da mesma laia que você.
No final a gente percebe que todo mundo saca quem a gente é, por mais que a gente tenha tentado esconder. As pessoas que fingiam entrar nos joguinhos de manipulação da minha vó, por mais que ela mantivesse tudo velado, sabiam com quem lidavam. Eu sempre mantive o Hulk acorrentado e escondido, mas as pessoas que chegavam perto demais sabiam. A diferença entre as duas situações é que o meu Hulk é bem feio e assustador, mas não ataca ninguém de graça, enquanto minha vó sempre fez a linha boazinha, só quero seu bem, só quero ajudar, carregada no mau-caratismo, no oportunismo, no dividir para conquistar. Destrói tudo que alcança só pra emergir como a salvadora da pátria, como a benevolente e generosa. Enfiando deus em tudo e no aguardo da canonização.
Ela se achava santa enquanto eu sei que sou um monstro. Ela calculava o máximo que podia machucar a vítima, a mesma que ela viria a resgatar com toda sua bondade. Eu preciso me esforçar constantemente pra não machucar ninguém, por mais que não seja intencional, a brutalidade tem isso de atingir os incautos.
Quando o monstro não machuca os outros, o amor pode superar o horror. E aí sim é bom pra caralho, porque o monstro corre solto de mãozinha dada com os amiguinhos. Esse final de ano também marcou um grande avanço nesse sentido. Poder soltar o monstro, rosnar, urrar, sem se instalar o pânico na capital. Relaxa, ele não morde. A sensação de que o monstro não precisa mais ficar tão sozinho. E ele pode ser até bem legal.
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| Um beijo, Ironlízia. |
sexta-feira, dezembro 21, 2012
O mundo acaba um pouco todo dia. O meu mundo já acabou algumas vezes, e sofreu desastres repentinos, praticamente imprevisíveis, um montão de vezes. Sobrevivemos eu, meus bichos, de vez em quando minha família, e daí em diante é reconstrução.
Acaba pra mim, acaba pra você, acaba pra todo mundo.
Até que um dia acaba de vez.
E seu coração pára. Não volta a bater nunca mais.
O importante é reconstruir quando ele ainda pode voltar a bater.
quarta-feira, dezembro 19, 2012
Os arredores mais obscuros da internet são o que eu chamo de lar
Nostradamus ligou Gangnam Style ao fim do mundo?
__________________________
Tá mais legal que reveillon a
contagem para o fim do
mundo no Gangnam Style
Foram 11 milhões de views
de ontem pra hoje
AEEEE
Faltam apenas 17 milhões
tem chance
vai de virada
Eu tô com medo de virar
antes da hora
Hahahahahaha vai ser FUÉN se
virar amanhã
vai não
aí a gente vai ter certeza
que acaba mesmo
Nah
Tem que virar apenas no 21/12
tenho fé
Vai virar
Tem milhões de idiotas
como eu assistindo pra
ajudar a virar
sério? HAHAHAHAHAHA
Juro
Hahahahahaha internet é
meu povo
Vou cantar pra você a música
do meu povo
op op op op op oppa gangnam
style
HAHAHAHA
eeeeeeeeeeeeeeee sexy lady
Agora só faltam 15 milhões.
terça-feira, dezembro 18, 2012
I thought about what you said it's not your money that I really want and I don't care.
O que motiva as pessoas a lutarem pelos direitos das pobres, coitadas e oprimidas Luthor Corps?
O que leva as pessoas a pensarem:
- Quem é você na noite pra achar ruim que te tomem a propriedade sobre as suas fotos horríveis que jamais serão vendidas?
É falta de senso de realidade. Ou as pessoas realmente acham que foram as esporádicas fotos 'valiosas' publicadas no Instagram que fizeram com que ele valesse um bilhão?
Não, não foram as lindas, caras e profissionais fotos. Foram as incontáveis de fotos de gatos, pés e de café-da-manhã.
As outras empresas berram: VENHAM, POSTEM SEUS PÉS, GATOS E ALMOÇOS AQUI!
As pessoas reverberam: Suas fotos não valem nada.
Desculpa, mas minhas fotos valem um bilhão. Valem porque eu sou 100 milhões.
Pobres e oprimidas Luthor Corps, fazem de um tudo pra esses 100 milhões de mal agradecidos, que não sabem doar de volta. Esses mal agradecidos que divulgaram e alimentaram o serviço até que enfiassem um bilhão no bolso do 'criador'.
Mas de agora em diante, um bilhão não vale nada.
Os primeiros advogados do diabo, repare, são os mais populares. Os que tem mais voz com dez, vinte, trinta mil seguidores. Isso é porque eles acham que não são 100 milhões, eles deliram, coitados, que são Luthor Corp.
Não me incomoda que as Luthor Corps me mordam a mão com a qual eu as alimento.
Me incomoda, profundamente, que as pessoas não reconheçam seu valor.
Eu sou 100 milhões e eu sou o bem mais valioso da internet.
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