Eu e Seuiuço assistindo à novela das 8:
- Que que aconteceu?
- Sequestraram o Astolfo.
- Quem?
- Adolfo.
- Ahm?
- Adamastor.
- Hahaha Adamastor! É Nestor.
- Esse.
- Não, é Agenor.
- Isso! Agenor!
"Nós vamos resgatar o Antenor"
- Antenor!!!
- An-te-nor!!!!!!
Noites estreladas, orelhas mutiladas...
Quarta-feira, Fevereiro 08, 2012
Segunda-feira, Janeiro 09, 2012
Aí tem essa política de fazer de conta que somos intocáveis. No bom sentido e no mau sentido.
É como se você tivesse que fazer de conta que está sempre flutuando a um milímetro de distância de qualquer coisa.
As coisas ruins você precisa demonstrar que não te atingem. E as boas também?
Porque se você se permite ser tocado pode se envolver e se acabar se envolvendo fica vulnerável.
Ninguém vive assim. Quer dizer, vive tanto quanto se estivesse jogando The Sims, né?
É como se você tivesse que fazer de conta que está sempre flutuando a um milímetro de distância de qualquer coisa.
As coisas ruins você precisa demonstrar que não te atingem. E as boas também?
Porque se você se permite ser tocado pode se envolver e se acabar se envolvendo fica vulnerável.
Ninguém vive assim. Quer dizer, vive tanto quanto se estivesse jogando The Sims, né?
Sexta-feira, Dezembro 09, 2011
"O veloz aumento das imagens que transformam as
mulheres em objetos sexuais acompanhou a revolução sexual,
não para atender às fantasias dos homens, mas para
defendê-los dos seus medos. Quando a romancista Margaret
Atwood perguntou a mulheres o que elas mais temiam
dos homens, elas responderam que tinham medo
que eles as matassem. Quando fez a mesma pergunta aos
homens com relação às mulheres, eles responderam que
tinham medo que elas rissem deles. Quando os homens
controlam a sexualidade feminina, eles ficam a salvo da
avaliação sexual. Relata Rosalind Miles que uma japonesa
do século VIII, por exemplo, era ensinada a "sempre
dizer do seu membrum virile que era enorme, maravilhoso,
maior do que qualquer outro. ...E você deve acrescentar,
'Venha me saciar, minha maravilha!' e alguns outros
elogios desse tipo". Já uma mulher alfabetizada do
século XVI era elogiosa. "O velho a beijou, e foi como
se uma lesma tivesse se arrastado pelo seu rosto encantador.'
Com as mulheres abertas à experimentação sexual,
os homens se arriscavam a ouvir o que as mulheres ouvem
todos os dias, ou seja, que há padrões sexuais com
os quais eles podem ser comparados. Esse medo é exagerado.
Mesmo com a liberdade sexual, as mulheres seguem
uma rígida etiqueta. "Nunca", recomenda uma revista feminina,
"mencione o tamanho do seu [pênis] em público...
e nunca, jamais, permita que ele saiba que alguma
outra pessoa sabe ou você acabará vendo que ele murcha
e desaparece, o que é bem feito para você." Essa citação
reconhece o fato de a comparação sexual crítica ser um
anafrodisíaco direto quando aplicada aos homens. Ou ainda
não reconhecemos que ela tem exatamente o mesmo
efeito sobre as mulheres, ou não nos importamos, ou ainda
entendemos em algum nível que seu efeito no momento
presente é desejável e adequado.
É improvável que um homem chegue a se aproximar
o suficiente de mulheres quando elas estão julgando a aparência,
a altura, a musculatura, a técnica sexual, o tamanho
do pênis, os cuidados pessoais ou o bom gosto nas
roupas dos homens, temas que sem dúvida abordamos.
O fato é que as mulheres são capazes de encarar os homens
da mesma forma que eles as encaram, como objetos
para sua avaliação estética e sexual. Nós também, sem
qualquer esforço, podemos selecionar o "ideal" masculino
dentre uma fileira de homens em exibição. E se pudéssemos
possuir a beleza masculina além de tudo o mais,
a maioria de nós não a rejeitaria. E daí? Levando-se tudo
isso em consideração, as mulheres em geral optam por
aceitar os homens em primeiro lugar como seres humanos.
É provável que as mulheres possam ser treinadas com
facilidade para ver os homens em primeiro lugar como
objetos sexuais. Se as meninas nunca passassem pela violência
sexual, se a única abertura que uma menina tivesse
para a sexualidade masculina fosse uma série de imagens
baratas, bem iluminadas e fáceis de se encontrar de
rapazes pouco mais velhos do que ela, no final da adolescência,
dando um sorriso encorajador e exibindo simpáticos
pênis eretos da cor das rosas ou de moca, ela bem
poderia olhar essas imagens, masturbar-se com elas e,
quando adulta, "precisar" da pornografia da beleza baseada
nos corpos de homens. E se um desses pênis iniciadores
fosse apresentado para a menina como tendo uma
ereção pneumática, sem inclinação nem para a direita nem
para a esquerda, como tendo o gosto de canela ou de frutinhas
do mato, sem a presença de pêlos ocasionais e com
uma disponibilidade constante; se eles fossem apresentados
tendo ao lado suas medidas de comprimento e circunferência
em centímetros; se eles parecessem estar à disposição
dela sem nenhuma personalidade problemática
vinculada a eles; se o prazer dela parecesse ser a única
razão para eles existirem; nesse caso, um rapaz de verdade
provavelmente se aproximaria da cama de uma jovem
com, no mínimo, muito medo de fracassar.
Mais uma vez, e daí? Ter sido treinado de uma maneira
não significa que não se possa rejeitar essa formação.
O medo que os homens têm de serem transformados
em objetos, do mesmo modo que transformaram as
mulheres, é provavelmente infundado. Se os dois sexos tivessem
a escolha de ver o outro como um composto de
objeto sexual e ser humano, os dois reconheceriam que
a realização consiste em não excluir nenhum dos dois termos.
São os medos infundados entre os sexos que mais
beneficiam o mito da beleza.
Fantasias que focalizam exclusivamente o corpo feminino
foram incentivadas num ambiente em que os homens
não conseguiam mais controlar o sexo, mas pela primeira
vez tinham de conquistá-lo. Mulheres que estivessem
preocupadas com a sua própria capacidade de despertar
o desejo eram menos propensas a expressar o que
elas próprias desejavam e a sair à sua procura."
Naomi Wolf - O Mito da Beleza
mulheres em objetos sexuais acompanhou a revolução sexual,
não para atender às fantasias dos homens, mas para
defendê-los dos seus medos. Quando a romancista Margaret
Atwood perguntou a mulheres o que elas mais temiam
dos homens, elas responderam que tinham medo
que eles as matassem. Quando fez a mesma pergunta aos
homens com relação às mulheres, eles responderam que
tinham medo que elas rissem deles. Quando os homens
controlam a sexualidade feminina, eles ficam a salvo da
avaliação sexual. Relata Rosalind Miles que uma japonesa
do século VIII, por exemplo, era ensinada a "sempre
dizer do seu membrum virile que era enorme, maravilhoso,
maior do que qualquer outro. ...E você deve acrescentar,
'Venha me saciar, minha maravilha!' e alguns outros
elogios desse tipo". Já uma mulher alfabetizada do
século XVI era elogiosa. "O velho a beijou, e foi como
se uma lesma tivesse se arrastado pelo seu rosto encantador.'
Com as mulheres abertas à experimentação sexual,
os homens se arriscavam a ouvir o que as mulheres ouvem
todos os dias, ou seja, que há padrões sexuais com
os quais eles podem ser comparados. Esse medo é exagerado.
Mesmo com a liberdade sexual, as mulheres seguem
uma rígida etiqueta. "Nunca", recomenda uma revista feminina,
"mencione o tamanho do seu [pênis] em público...
e nunca, jamais, permita que ele saiba que alguma
outra pessoa sabe ou você acabará vendo que ele murcha
e desaparece, o que é bem feito para você." Essa citação
reconhece o fato de a comparação sexual crítica ser um
anafrodisíaco direto quando aplicada aos homens. Ou ainda
não reconhecemos que ela tem exatamente o mesmo
efeito sobre as mulheres, ou não nos importamos, ou ainda
entendemos em algum nível que seu efeito no momento
presente é desejável e adequado.
É improvável que um homem chegue a se aproximar
o suficiente de mulheres quando elas estão julgando a aparência,
a altura, a musculatura, a técnica sexual, o tamanho
do pênis, os cuidados pessoais ou o bom gosto nas
roupas dos homens, temas que sem dúvida abordamos.
O fato é que as mulheres são capazes de encarar os homens
da mesma forma que eles as encaram, como objetos
para sua avaliação estética e sexual. Nós também, sem
qualquer esforço, podemos selecionar o "ideal" masculino
dentre uma fileira de homens em exibição. E se pudéssemos
possuir a beleza masculina além de tudo o mais,
a maioria de nós não a rejeitaria. E daí? Levando-se tudo
isso em consideração, as mulheres em geral optam por
aceitar os homens em primeiro lugar como seres humanos.
É provável que as mulheres possam ser treinadas com
facilidade para ver os homens em primeiro lugar como
objetos sexuais. Se as meninas nunca passassem pela violência
sexual, se a única abertura que uma menina tivesse
para a sexualidade masculina fosse uma série de imagens
baratas, bem iluminadas e fáceis de se encontrar de
rapazes pouco mais velhos do que ela, no final da adolescência,
dando um sorriso encorajador e exibindo simpáticos
pênis eretos da cor das rosas ou de moca, ela bem
poderia olhar essas imagens, masturbar-se com elas e,
quando adulta, "precisar" da pornografia da beleza baseada
nos corpos de homens. E se um desses pênis iniciadores
fosse apresentado para a menina como tendo uma
ereção pneumática, sem inclinação nem para a direita nem
para a esquerda, como tendo o gosto de canela ou de frutinhas
do mato, sem a presença de pêlos ocasionais e com
uma disponibilidade constante; se eles fossem apresentados
tendo ao lado suas medidas de comprimento e circunferência
em centímetros; se eles parecessem estar à disposição
dela sem nenhuma personalidade problemática
vinculada a eles; se o prazer dela parecesse ser a única
razão para eles existirem; nesse caso, um rapaz de verdade
provavelmente se aproximaria da cama de uma jovem
com, no mínimo, muito medo de fracassar.
Mais uma vez, e daí? Ter sido treinado de uma maneira
não significa que não se possa rejeitar essa formação.
O medo que os homens têm de serem transformados
em objetos, do mesmo modo que transformaram as
mulheres, é provavelmente infundado. Se os dois sexos tivessem
a escolha de ver o outro como um composto de
objeto sexual e ser humano, os dois reconheceriam que
a realização consiste em não excluir nenhum dos dois termos.
São os medos infundados entre os sexos que mais
beneficiam o mito da beleza.
Fantasias que focalizam exclusivamente o corpo feminino
foram incentivadas num ambiente em que os homens
não conseguiam mais controlar o sexo, mas pela primeira
vez tinham de conquistá-lo. Mulheres que estivessem
preocupadas com a sua própria capacidade de despertar
o desejo eram menos propensas a expressar o que
elas próprias desejavam e a sair à sua procura."
Naomi Wolf - O Mito da Beleza
Sábado, Novembro 26, 2011
Eu tinha começado a fazer um negócio muito interessante. Era tipo um projeto.
Eu assisto séries em quantidades vergonhosas. Umas 4 horas por dia, em dias úteis e "para o infinito e além" em dias chuvosos, ou tardes de domingo.
Eu amo tv.
Mas aí eu comecei a notar que talvez a tv não me ame de volta.
Não era o tempo todo, mas bem mais frequente do que eu considero saudável. Se fosse um ficante ou um namorado eu já teria dado um pé. Salpicado entre estórias que eu acompanho há anos, e dito por personagens que eu aprendi a amar, vinham críticas à minha aparência.
Porra Ted Mosby, tamo junto, tô aqui torcendo por você, e você ridicularizando mulheres porque elas estão acima do peso? Você? Logo você?? Vem cá amigo, sinto em te informar, mas você está longe de ser um Henry Cavill, né?
E não era só ele. Eu comecei a reparar e até a anotar cada alfinetada direcionada à mulheres fora dos padrões vigentes. Foi deprimente. Eu mal conseguia assistir a um episódio, de qualquer série, sem ter que pausar pra fazer as anotações. Isso porque eu só persisti por uma semana.
Eu tenho esse negócio, eu desisto de certos projetos porque eles me deprimem demais, mais do que eu posso aguentar. (aliás é o segundo projeto que eu abandono esse ano pelo mesmo motivo)
Porque uma coisa é fazer vista grossa, passar batido, por esse bombardeio de ódio. Machuca menos. Outra é mensurar, analisar, listar, cada ataque.
Em três dias eu já estava parando na frente do espelho e berrando: POR QUE VOCÊS ME ODEIAM???? O QUE EU TENHO DE TÃO ERRADO ASSIM???
Por que o mundo tem o direito de me agredir constantemente?
Não é um fenômeno isolado. O que acontece ali, na produção cultural, reflete nas ruas, no dia a dia. Ou seria o contrário? É retroalimentado. O que emerge na sociedade é representado pela indústria cultural, e o que aparece na indústria cultural é estimulado na sociedade.
E o que que se pode fazer?
Nada.
Absolutamente nada.
Claro que, individualmente, dá pra pagar na mesma moeda. Ridicularizou? Você vai lá e ridiculariza mais. Humilhou? Você humilha mais. É, de todos os esportes, meu preferido. Só que eu sou exceção.
A maior parte do tempo I don't give a single fuck.
Alguma conjunção planetária, algum tipo salagadula da terra da magia dos arco-íris e dos unicórnios, faz com que, apesar de todas as evidências contrárias, eu acredite que eu não sou a escória asquerosa do lixo atômico da humanidade.
O coro do "Você é a escória asquerosa do lixo atômico da humanidade!" grita, ensurdecedoramente, ad infinitum, ao meu redor e não me convence.
Mas convence muita, muita, muita gente.
E quebra, e destrói, e esmaga, e torna a existência um fardo pra uma respeitável parcela da humanidade.
E o que que se pode fazer?
O que?
Nada?
ps. O que eu queria, mesmo, era poder ter escrito sobre o quanto o episódio 11 da sétima temporada de How I Met Your Mother representa um mundo muito melhor, um mundo muito bom de se viver, no que diz respeito à homossexualidade. Todos os personagens lidam com o assunto com uma naturalidade encantadora e no final, a cereja do bolo, tem uma família maravilhosa encabeçada por dois homens gays. Me deixa absurdamente feliz viver em um tempo em que isso é possível na televisão. Ver que a luta LGBT avançou e que cada vez mais os homossexuais estão saindo do "gueto" e entrando na vida de todo mundo, com orgulho, com amor, com respeito. Kudos pra série, nesse sentido.
Mas a porta está sendo fechada na cara de muita gente ainda. Até quando a gente vai ter que ficar observando pela frestinha do basculante?
Eu assisto séries em quantidades vergonhosas. Umas 4 horas por dia, em dias úteis e "para o infinito e além" em dias chuvosos, ou tardes de domingo.
Eu amo tv.
Mas aí eu comecei a notar que talvez a tv não me ame de volta.
Não era o tempo todo, mas bem mais frequente do que eu considero saudável. Se fosse um ficante ou um namorado eu já teria dado um pé. Salpicado entre estórias que eu acompanho há anos, e dito por personagens que eu aprendi a amar, vinham críticas à minha aparência.
Porra Ted Mosby, tamo junto, tô aqui torcendo por você, e você ridicularizando mulheres porque elas estão acima do peso? Você? Logo você?? Vem cá amigo, sinto em te informar, mas você está longe de ser um Henry Cavill, né?
E não era só ele. Eu comecei a reparar e até a anotar cada alfinetada direcionada à mulheres fora dos padrões vigentes. Foi deprimente. Eu mal conseguia assistir a um episódio, de qualquer série, sem ter que pausar pra fazer as anotações. Isso porque eu só persisti por uma semana.
Eu tenho esse negócio, eu desisto de certos projetos porque eles me deprimem demais, mais do que eu posso aguentar. (aliás é o segundo projeto que eu abandono esse ano pelo mesmo motivo)
Porque uma coisa é fazer vista grossa, passar batido, por esse bombardeio de ódio. Machuca menos. Outra é mensurar, analisar, listar, cada ataque.
Em três dias eu já estava parando na frente do espelho e berrando: POR QUE VOCÊS ME ODEIAM???? O QUE EU TENHO DE TÃO ERRADO ASSIM???
Por que o mundo tem o direito de me agredir constantemente?
Não é um fenômeno isolado. O que acontece ali, na produção cultural, reflete nas ruas, no dia a dia. Ou seria o contrário? É retroalimentado. O que emerge na sociedade é representado pela indústria cultural, e o que aparece na indústria cultural é estimulado na sociedade.
E o que que se pode fazer?
Nada.
Absolutamente nada.
Claro que, individualmente, dá pra pagar na mesma moeda. Ridicularizou? Você vai lá e ridiculariza mais. Humilhou? Você humilha mais. É, de todos os esportes, meu preferido. Só que eu sou exceção.
A maior parte do tempo I don't give a single fuck.
Alguma conjunção planetária, algum tipo salagadula da terra da magia dos arco-íris e dos unicórnios, faz com que, apesar de todas as evidências contrárias, eu acredite que eu não sou a escória asquerosa do lixo atômico da humanidade.
O coro do "Você é a escória asquerosa do lixo atômico da humanidade!" grita, ensurdecedoramente, ad infinitum, ao meu redor e não me convence.
Mas convence muita, muita, muita gente.
E quebra, e destrói, e esmaga, e torna a existência um fardo pra uma respeitável parcela da humanidade.
E o que que se pode fazer?
O que?
Nada?
ps. O que eu queria, mesmo, era poder ter escrito sobre o quanto o episódio 11 da sétima temporada de How I Met Your Mother representa um mundo muito melhor, um mundo muito bom de se viver, no que diz respeito à homossexualidade. Todos os personagens lidam com o assunto com uma naturalidade encantadora e no final, a cereja do bolo, tem uma família maravilhosa encabeçada por dois homens gays. Me deixa absurdamente feliz viver em um tempo em que isso é possível na televisão. Ver que a luta LGBT avançou e que cada vez mais os homossexuais estão saindo do "gueto" e entrando na vida de todo mundo, com orgulho, com amor, com respeito. Kudos pra série, nesse sentido.
Mas a porta está sendo fechada na cara de muita gente ainda. Até quando a gente vai ter que ficar observando pela frestinha do basculante?
Quarta-feira, Novembro 16, 2011
Às vezes eu passo longos períodos sem falar as coisas que eu estou pensando. Não sei... Eu acho que a minha vida, a forma que ela vem acontecendo, tem me mostrado que o melhor é ficar em silêncio sobre certas coisas.
Tem pessoas que se interessam e sabem lidar com o que a gente tem a dizer sobre elas, ou sobre a gente, ou sobre esse espaço vazio cheio de coisas entre eu e elas. O último texto que eu postei, sobre como homens são asquerosos foi um bom exemplo disso.
Porque não era sobre homens, pelo menos não todos, era sobre alguns deles, era sobre os homens da minha vida. É estranho ter que esclarecer isso, o que teve de homem que nem me conhece se defendendo de mim não fez sentido. Enfim um deles, um dos meus, pra quem eu disse "olha, eu escrevi um texto pra você", leu e nós conversamos sobre isso, refletiu e expôs pra mim o que tudo isso significava pra ele. Pra mim, nós dois só ganhamos, ainda que a solução pra nós seja a distância, porque eu senti que pude olhar pra ele e que ele se dispôs a olhar pra mim, e nós nos enxergamos como seres humanos completos, cheios de complexidade e nuances, cheios de emoções, de sentimentos.
Foi uma chance que há muito tempo eu não tinha, de dizer o que eu estava sentindo, de dizer onde ele me feriu e onde estava doendo. Ninguém com quem eu me relacionei, desde 2008, se interessou, quis saber, perguntou. Nem amigos, nem namorados, nem ficantes, nem nada. Mas pra ser justa, nem homens, nem mulheres.
A impressão que eu tenho, na maior parte das vezes, é que é esperado de todo mundo que sejamos alheios a tudo, duros e gelados como pedras. Porque ninguém quer saber como você se sente e mesmo quando querem, em geral, é pra usar isso contra você.
Uma hora a pessoa está lá, toda sua amigona, entrando na sua casa e sendo seu confidente pra no outro instante nem se preocupar se está fazendo e falando coisas que possam vir a te machucar. Dá pra notar que muitas atitudes são tomadas exclusivamente com a intenção de te machucar.
Mais.
Te machucar mais.
As causas do rompimento, de um relacionamento romântico ou de uma amizade, pelo visto, não machucam o suficiente pra essas pessoas.
Me assusta porque não se trata de estranhos, completos desconhecidos, são pessoas que em algum momento, supostamente, nutriram afeto por você. Eu tenho curiosidade em saber como essas pessoas conseguem desrespeitar o próprio passado e ficar cuspindo o nome de ex-afetos dentro de um copo de veneno.
E aí eu começo a achar que tem a ver com isso, com viver protegido por uma casca e agir guiado exclusivamente por oportunismo e interesse.
Talvez eu me assuste com o fato de que existe gente má. Vilões. Arquinimigos. Gente que tem como objetivo na vida fazer o mal e tentar enfiar a cara dos outros na merda.
Qual a dificuldade de deixar passar? Qual a dificuldade de deixar os outros vivendo a vida deles no cantinho deles e você vivendo a sua no seu cantinho?
É prazer sádico? Alguém ganha alguma coisa com isso?
Que diferença faz? Existem mais ou menos uns 7 bilhões de pessoas no mundo que nunca farão a menor diferença na sua vida, pra que seguir com seus pensamentos agarrados em quem já foi e não é mais pra ser?
Vai ler uns livros, uns quadrinhos, ver uns filmes, umas séries, escutar umas músicas, o que não falta é coisa mais produtiva, senão mais divertida, pra distrair seus pensamentos de alguém de quem você não gosta.
Me faz lembrar do que eu ouvi de algum ex-participante d'A Fazenda:
- A gente não tem do que falar lá dentro e acaba falando uns dos outros.
Falta bagagem cultural.
O twitter mostra isso, eu sigo três contas, divididas entre amigos íntimos, besteira (que são os famosos e o povo que comenta coisas da tv) e a conta principal. Ontem uma delas só falava de fulana que pegou beltrano, e não era a conta de besteiras, nela estavam falando sobre X-factor e filmes em produção.
Falta bagagem cultural, nem que seja assistir a X-factor.
Fala da novela, mas num fala da vida pessoal dos outros.
Fala de Big Brother, eles tão ali pra você ficar julgando as escolhas de vida deles por três meses, mas num fala dos seus ex-amigos.
Eu estou assistindo essa série, Enlightened que é sobre uma mulher que volta à vida normal depois de um retiro espiritual e fica tentando aplicar essas idéias budistas-auto-ajuda no dia a dia. É comédia porque ela sempre tenta fazer as coisas de um jeito muito mais complexo quando a melhor solução está sempre sambando na cara dela.
É simples. Vive a sua vida, cuida do seu, olha ao seu redor e deixa as pessoas irem embora quando elas querem, não fica forçando.
Não fica forçando.
Eu tento não forçar. Não obrigar as pessoas a ficarem discutindo relação comigo. Mas eu só quero por perto as que querem saber de mim e que querem que eu saiba delas. Eu quero amor. Eu quero poder dizer tudo que eu penso e ser escutada, ser respeitada, escutar tudo que querem me dizer e respeitar, refletir, lidar com o outro com zelo, compreensão, carinho. Fazer as verdades dos outros se emaranharem com as minhas e amar. Perdoar. Perdoar todo dia, porque as verdades, não raramente, machucam. E me permitir, me abrir, confiar e amar. Eu tenho uma dificuldade brutal de confiar, até porque a maior parte das coisas que me aconteceram me empurram pro lado oposto. Mas eu me permito, e dói, e eu perdoo, só porque amar vale a pena. Uma tarde preguiçosa chupando danoninho ice já vale a pena, imagina o resto? Não existe traição, nem falta de amor, nem escrotice nesse mundo que vai arrancar essa certeza de mim. Vale a pena dar a cara a tapa e ter a chance de amar e ser amada.
Ficar batendo casca com casca não é amar. Manter alguém no seu convívio porque te é vantajoso não é amar.
E eu só quero amor.
Sinto muito, eu não existo pra você. Eu não existo no seu mundo.
Agora me deixa ir embora.
Me esquece.
Tem pessoas que se interessam e sabem lidar com o que a gente tem a dizer sobre elas, ou sobre a gente, ou sobre esse espaço vazio cheio de coisas entre eu e elas. O último texto que eu postei, sobre como homens são asquerosos foi um bom exemplo disso.
Porque não era sobre homens, pelo menos não todos, era sobre alguns deles, era sobre os homens da minha vida. É estranho ter que esclarecer isso, o que teve de homem que nem me conhece se defendendo de mim não fez sentido. Enfim um deles, um dos meus, pra quem eu disse "olha, eu escrevi um texto pra você", leu e nós conversamos sobre isso, refletiu e expôs pra mim o que tudo isso significava pra ele. Pra mim, nós dois só ganhamos, ainda que a solução pra nós seja a distância, porque eu senti que pude olhar pra ele e que ele se dispôs a olhar pra mim, e nós nos enxergamos como seres humanos completos, cheios de complexidade e nuances, cheios de emoções, de sentimentos.
Foi uma chance que há muito tempo eu não tinha, de dizer o que eu estava sentindo, de dizer onde ele me feriu e onde estava doendo. Ninguém com quem eu me relacionei, desde 2008, se interessou, quis saber, perguntou. Nem amigos, nem namorados, nem ficantes, nem nada. Mas pra ser justa, nem homens, nem mulheres.
A impressão que eu tenho, na maior parte das vezes, é que é esperado de todo mundo que sejamos alheios a tudo, duros e gelados como pedras. Porque ninguém quer saber como você se sente e mesmo quando querem, em geral, é pra usar isso contra você.
Uma hora a pessoa está lá, toda sua amigona, entrando na sua casa e sendo seu confidente pra no outro instante nem se preocupar se está fazendo e falando coisas que possam vir a te machucar. Dá pra notar que muitas atitudes são tomadas exclusivamente com a intenção de te machucar.
Mais.
Te machucar mais.
As causas do rompimento, de um relacionamento romântico ou de uma amizade, pelo visto, não machucam o suficiente pra essas pessoas.
Me assusta porque não se trata de estranhos, completos desconhecidos, são pessoas que em algum momento, supostamente, nutriram afeto por você. Eu tenho curiosidade em saber como essas pessoas conseguem desrespeitar o próprio passado e ficar cuspindo o nome de ex-afetos dentro de um copo de veneno.
E aí eu começo a achar que tem a ver com isso, com viver protegido por uma casca e agir guiado exclusivamente por oportunismo e interesse.
Talvez eu me assuste com o fato de que existe gente má. Vilões. Arquinimigos. Gente que tem como objetivo na vida fazer o mal e tentar enfiar a cara dos outros na merda.
Qual a dificuldade de deixar passar? Qual a dificuldade de deixar os outros vivendo a vida deles no cantinho deles e você vivendo a sua no seu cantinho?
É prazer sádico? Alguém ganha alguma coisa com isso?
Que diferença faz? Existem mais ou menos uns 7 bilhões de pessoas no mundo que nunca farão a menor diferença na sua vida, pra que seguir com seus pensamentos agarrados em quem já foi e não é mais pra ser?
Vai ler uns livros, uns quadrinhos, ver uns filmes, umas séries, escutar umas músicas, o que não falta é coisa mais produtiva, senão mais divertida, pra distrair seus pensamentos de alguém de quem você não gosta.
Me faz lembrar do que eu ouvi de algum ex-participante d'A Fazenda:
- A gente não tem do que falar lá dentro e acaba falando uns dos outros.
Falta bagagem cultural.
O twitter mostra isso, eu sigo três contas, divididas entre amigos íntimos, besteira (que são os famosos e o povo que comenta coisas da tv) e a conta principal. Ontem uma delas só falava de fulana que pegou beltrano, e não era a conta de besteiras, nela estavam falando sobre X-factor e filmes em produção.
Falta bagagem cultural, nem que seja assistir a X-factor.
Fala da novela, mas num fala da vida pessoal dos outros.
Fala de Big Brother, eles tão ali pra você ficar julgando as escolhas de vida deles por três meses, mas num fala dos seus ex-amigos.
Eu estou assistindo essa série, Enlightened que é sobre uma mulher que volta à vida normal depois de um retiro espiritual e fica tentando aplicar essas idéias budistas-auto-ajuda no dia a dia. É comédia porque ela sempre tenta fazer as coisas de um jeito muito mais complexo quando a melhor solução está sempre sambando na cara dela.
É simples. Vive a sua vida, cuida do seu, olha ao seu redor e deixa as pessoas irem embora quando elas querem, não fica forçando.
Não fica forçando.
Eu tento não forçar. Não obrigar as pessoas a ficarem discutindo relação comigo. Mas eu só quero por perto as que querem saber de mim e que querem que eu saiba delas. Eu quero amor. Eu quero poder dizer tudo que eu penso e ser escutada, ser respeitada, escutar tudo que querem me dizer e respeitar, refletir, lidar com o outro com zelo, compreensão, carinho. Fazer as verdades dos outros se emaranharem com as minhas e amar. Perdoar. Perdoar todo dia, porque as verdades, não raramente, machucam. E me permitir, me abrir, confiar e amar. Eu tenho uma dificuldade brutal de confiar, até porque a maior parte das coisas que me aconteceram me empurram pro lado oposto. Mas eu me permito, e dói, e eu perdoo, só porque amar vale a pena. Uma tarde preguiçosa chupando danoninho ice já vale a pena, imagina o resto? Não existe traição, nem falta de amor, nem escrotice nesse mundo que vai arrancar essa certeza de mim. Vale a pena dar a cara a tapa e ter a chance de amar e ser amada.
Ficar batendo casca com casca não é amar. Manter alguém no seu convívio porque te é vantajoso não é amar.
E eu só quero amor.
Sinto muito, eu não existo pra você. Eu não existo no seu mundo.
Agora me deixa ir embora.
Me esquece.
Quinta-feira, Outubro 27, 2011
Dentre todas as coisas escrotas, nojentas e repulsivas que o ser humano normalmente é, a pior delas é ser homem.
Porque homem é um bicho falso, traiçoeiro e mentiroso.
Eu acho bastante irônicas todas aquelas piadinhas que fazem comparações com a amizade feminina e a amizade masculina dando a entender que as mulheres não são verdadeiras e que homens são maravilhosos seres cheios de sinceridade e amor.
Não.
Não são.
Homens são capazes de calcular o que as pessoas querem ouvir pra tirar a vantagem maior.
A vida, o mundo e todas as coisas funcionam na base da troca. Eu te ofereço X, você me oferece Y e quem sabe a gente tem aí um bom negócio. Só não faça isso com homens, porque eles oferecem qualquer coisa pra levar o que querem. Da boca pra fora. Falam, falam, falam e os atos nunca condizem com as palavras. De "eu te amo"s a "pode deixar que eu dou comida pro cachorro"s.
Provavelmente isso tem a ver com essa cultura de ensinar as mulheres a serem subservientes. Aí a gente vai fazendo acordos e quebrando a cara quando a outra parte não cumpre o combinado e carregamos tudo nas costas sozinhas. Tudo pelo prazer de servir.
Nunca me relacionei com um homem, qualquer tipo de relação, sem que isso fosse um ENORME obstáculo. Eu faço, quebro a cara e quando enfrento lá vem o tsunami de desculpas.
- Olha, se essas coisas que você acabou de dizer são o suficiente pra justificar que você destrua completamente o que existe entre nós, vai com fé, vai ser feliz.
Porque não tem como existir um "entre nós" se não existe confiança. Em qualquer grau.
Homens não tem palavra. Não honram com nada. E acham graça. Acham graça dizer tudo que as mulheres querem ouvir e tirar os lucros disso. Mulheres, essas estúpidas que acreditam em palavras.
Entre nós, a maioria das mulheres, palavras são tudo.
A gente sabe se expressar, se comunicar, negociar, se respeitar. Respeitar as opiniões, as vontades e os sentimentos umas das outras.
Homem não sente.
Homem não ama.
Homem não se responsabiliza.
Quando eles ousam lidar com a realidade e com a verdade eles acham que os anjos do céu deveriam cantar em alegria e o mundo se dobrar aos seus pés.
Mas a verdade é só o começo.
Quando eu coloco a minha verdade é pra te deixar a par das condições da nossa relação e fazer as escolhas que você tem que fazer, pensar no que e em como as propostas colocadas valem a pena pra você.
Homem quando fala a verdade acha que merece uma coroa. Que agora você vai fazer tudo que ele quer. Do jeito que ele quer. Porque pra eles você não merece respeito, consideração, solidariedade e VEJA SÓ, ele até te deu a verdade, já te fez um favor. E esbraveja e se revolta se perde alguma coisa com a verdade porque na cabeça dele, poderia ter levado tudo te dizendo as coisas que você quer ouvir.
São uns desgraçados.
São asquerosos.
São escrotos.
Nenhum presta.
Porque homem é um bicho falso, traiçoeiro e mentiroso.
Eu acho bastante irônicas todas aquelas piadinhas que fazem comparações com a amizade feminina e a amizade masculina dando a entender que as mulheres não são verdadeiras e que homens são maravilhosos seres cheios de sinceridade e amor.
Não.
Não são.
Homens são capazes de calcular o que as pessoas querem ouvir pra tirar a vantagem maior.
A vida, o mundo e todas as coisas funcionam na base da troca. Eu te ofereço X, você me oferece Y e quem sabe a gente tem aí um bom negócio. Só não faça isso com homens, porque eles oferecem qualquer coisa pra levar o que querem. Da boca pra fora. Falam, falam, falam e os atos nunca condizem com as palavras. De "eu te amo"s a "pode deixar que eu dou comida pro cachorro"s.
Provavelmente isso tem a ver com essa cultura de ensinar as mulheres a serem subservientes. Aí a gente vai fazendo acordos e quebrando a cara quando a outra parte não cumpre o combinado e carregamos tudo nas costas sozinhas. Tudo pelo prazer de servir.
Nunca me relacionei com um homem, qualquer tipo de relação, sem que isso fosse um ENORME obstáculo. Eu faço, quebro a cara e quando enfrento lá vem o tsunami de desculpas.
- Olha, se essas coisas que você acabou de dizer são o suficiente pra justificar que você destrua completamente o que existe entre nós, vai com fé, vai ser feliz.
Porque não tem como existir um "entre nós" se não existe confiança. Em qualquer grau.
Homens não tem palavra. Não honram com nada. E acham graça. Acham graça dizer tudo que as mulheres querem ouvir e tirar os lucros disso. Mulheres, essas estúpidas que acreditam em palavras.
Entre nós, a maioria das mulheres, palavras são tudo.
A gente sabe se expressar, se comunicar, negociar, se respeitar. Respeitar as opiniões, as vontades e os sentimentos umas das outras.
Homem não sente.
Homem não ama.
Homem não se responsabiliza.
Quando eles ousam lidar com a realidade e com a verdade eles acham que os anjos do céu deveriam cantar em alegria e o mundo se dobrar aos seus pés.
Mas a verdade é só o começo.
Quando eu coloco a minha verdade é pra te deixar a par das condições da nossa relação e fazer as escolhas que você tem que fazer, pensar no que e em como as propostas colocadas valem a pena pra você.
Homem quando fala a verdade acha que merece uma coroa. Que agora você vai fazer tudo que ele quer. Do jeito que ele quer. Porque pra eles você não merece respeito, consideração, solidariedade e VEJA SÓ, ele até te deu a verdade, já te fez um favor. E esbraveja e se revolta se perde alguma coisa com a verdade porque na cabeça dele, poderia ter levado tudo te dizendo as coisas que você quer ouvir.
São uns desgraçados.
São asquerosos.
São escrotos.
Nenhum presta.
Quarta-feira, Setembro 21, 2011
Dead end girl made a promise to herself, that this dead end world will be forced to eat itself at gun point.
Eu tava pensando nesse documentário "Il corpo delle donne" e me perguntando porque eu não me revolto e nem me sinto pessoalmente ofendida e agredida com a imagem retratada da mulher na tv. Tudo começou no Reader com essa notícia e esse papo de "limitações intelectuais".
Porque me atingiria?
Ainda que eu consiga, superficialmente, me identificar com elas, ao menos no sentido de que eu e a maioria delas nascemos com uma vagina, nenhuma delas sou eu.
Sabe, eu não sou Sabrina Sato, nunca me apaixonaria pelo Dhomini e jamais serviria de pangaré de luxo do Emílio Surita, aquele sujeito nojento. *gorfinho*
Também não sou Meg Melilo, se tivesseme prostituído sido cam girl bateria no peito com orgulho e ainda perguntaria "Que que cê tem com isso? A b**eta é minha e eu mostro pra quem eu quiser". Também não existiria a menor chance de me arrastar por homem feio, chato e burro. Nem na privacidade da minha vidinha comum, quanto mais em rede nacional.
Fora o óbvio, que somos ideologicamente, eu e as mulheres da tv, muito diferentes, tem o físico. Eu não sou uma bunda lisa e redonda ornada com pernas bem musculosas e tornozelos de funil, não sou grandes peitos de silicone perfeitamente harmonizados com braços magros e cintura fina numa barriga chapada, não sou uma pele homogeneizada com corretivos, bases e pós, cabelos milimetricamente coloridos e descoloridos, com apliques e penteados, olhos e bocas perfeitamente desenhados, tudo enfeitado com jóias e tecidos valiosos.
Aquela mulher da tv nada tem de parecido comigo.
E talvez, o que mais nos afasta, é que ela não é minha fantasia. Ela não povoa meu imaginário representando tudo aquilo que eu gostaria de ser, mas que não sou.
Na minha fantasia, normalmente, eu gostaria de ser o Kevin Smith, saber escrever diálogos geniais e ganhar toneladas de dinheiro de vez em quando pra contar as aventuras do Jay e do Silent Bob. Também gostaria de ser o Tarantino pra além dos diálogos geniais ter inventado essa direção tão visualmente sedutora, e tão inconfundivelmente dele, que dá vontade de comer com uma pitada de chipotle. Gostaria de ser o Eli Roth e viver de filmar estórias interessantinhas e bem contadas, cheias de sangue e tripas. Não, eu nunca quero ser o George A. Romero, isso é heresia. Gostaria de ser o Chris Nolan, o Danny Boyle, o James Wan, até o Leigh Whannell e de vez em quando eu até gostaria de ser o Michael Bay, pra usar aquele dinheiro todo em filmes mais interessantes.
De vez em quando eu gostaria de ser a Oprah, ser a rainha da mídia, ter uma legião de mulheres que acreditam no que eu digo e ter uma escola na África, pra salvar o mundo de pouquinho em pouquinho. Mas isso só quando eu me sinto generosa e com anseios de super heroína.
Muito raramente eu gostaria de ser a Christina Hendricks. Ah, aí nós ficamos bem pertinho umas das outras, eu e as mulheres da tv. Ela mesma é uma mulher da tv, bem fora dos padrões, mas uma mulher da tv. Geralmente é quando estou me envolvendo romanticamente com alguém, eu imagino que seria mais fácil agradar um homem com aquela voz sussurrante, movimentos delicados, olhares penetrantes e corpo de ampulheta.
Mas aí, entre meus devaneios surge um berro.
"PUTAQUEPARIU, PORQUE QUE EU NÃO SOU O MICHAEL BAY??? EU TERIA DINHEIRO O SUFICIENTE PRA FILMAR MULHER MARAVILHA COM ELA. MAS QUE MUNDO INJUSTO."
Talvez seja isso.
Talvez eu devesse me incomodar não porque sou representada como gênero de uma forma humilhante.
Eu não sou representada de forma nenhuma.
Eu sou invisível.
Eu nem existo.
...
Porque me atingiria?
Ainda que eu consiga, superficialmente, me identificar com elas, ao menos no sentido de que eu e a maioria delas nascemos com uma vagina, nenhuma delas sou eu.
Sabe, eu não sou Sabrina Sato, nunca me apaixonaria pelo Dhomini e jamais serviria de pangaré de luxo do Emílio Surita, aquele sujeito nojento. *gorfinho*
Também não sou Meg Melilo, se tivesse
Fora o óbvio, que somos ideologicamente, eu e as mulheres da tv, muito diferentes, tem o físico. Eu não sou uma bunda lisa e redonda ornada com pernas bem musculosas e tornozelos de funil, não sou grandes peitos de silicone perfeitamente harmonizados com braços magros e cintura fina numa barriga chapada, não sou uma pele homogeneizada com corretivos, bases e pós, cabelos milimetricamente coloridos e descoloridos, com apliques e penteados, olhos e bocas perfeitamente desenhados, tudo enfeitado com jóias e tecidos valiosos.
Aquela mulher da tv nada tem de parecido comigo.
E talvez, o que mais nos afasta, é que ela não é minha fantasia. Ela não povoa meu imaginário representando tudo aquilo que eu gostaria de ser, mas que não sou.
Na minha fantasia, normalmente, eu gostaria de ser o Kevin Smith, saber escrever diálogos geniais e ganhar toneladas de dinheiro de vez em quando pra contar as aventuras do Jay e do Silent Bob. Também gostaria de ser o Tarantino pra além dos diálogos geniais ter inventado essa direção tão visualmente sedutora, e tão inconfundivelmente dele, que dá vontade de comer com uma pitada de chipotle. Gostaria de ser o Eli Roth e viver de filmar estórias interessantinhas e bem contadas, cheias de sangue e tripas. Não, eu nunca quero ser o George A. Romero, isso é heresia. Gostaria de ser o Chris Nolan, o Danny Boyle, o James Wan, até o Leigh Whannell e de vez em quando eu até gostaria de ser o Michael Bay, pra usar aquele dinheiro todo em filmes mais interessantes.
De vez em quando eu gostaria de ser a Oprah, ser a rainha da mídia, ter uma legião de mulheres que acreditam no que eu digo e ter uma escola na África, pra salvar o mundo de pouquinho em pouquinho. Mas isso só quando eu me sinto generosa e com anseios de super heroína.
Muito raramente eu gostaria de ser a Christina Hendricks. Ah, aí nós ficamos bem pertinho umas das outras, eu e as mulheres da tv. Ela mesma é uma mulher da tv, bem fora dos padrões, mas uma mulher da tv. Geralmente é quando estou me envolvendo romanticamente com alguém, eu imagino que seria mais fácil agradar um homem com aquela voz sussurrante, movimentos delicados, olhares penetrantes e corpo de ampulheta.
Mas aí, entre meus devaneios surge um berro.
"PUTAQUEPARIU, PORQUE QUE EU NÃO SOU O MICHAEL BAY??? EU TERIA DINHEIRO O SUFICIENTE PRA FILMAR MULHER MARAVILHA COM ELA. MAS QUE MUNDO INJUSTO."
Talvez seja isso.
Talvez eu devesse me incomodar não porque sou representada como gênero de uma forma humilhante.
Eu não sou representada de forma nenhuma.
Eu sou invisível.
Eu nem existo.
...
Terça-feira, Setembro 20, 2011
Blood droplets cook like glue.
- Vamo lá, passear de conversível...
- Não.
- Mas porque?? Conversível é muito legal.
- Porque eu tô de pijama.
- Mas é só botar um tênis, a roupa tá boa pra sair.
- Olha só. Hoje eu acordei, tomei um banho e vesti meu pijama e pantufas. Aí eu fiz arroz.
- 5 quilos de arroz.
- É, 5 quilos de arroz pra nunca mais ter que fazer arroz nessa vida. Eu não era capaz, hoje, nem de trabalhar. E eu tive que fazer arroz, outro arroz, pro almoço. Ah é, eu fiz almoço e depois eu fiz 5 quilos de arroz. Fazer almoço me lembrou que eu não quero nunca mais fazer arroz nessa vida. Aí eu fiz 5 quilos. Não existe nada nesse universo que vai me fazer sair dessas pantufas de bode.
- Nem um passeio de conversível?
- Nem isso...
- ...
- Onde ces dois vão?
- Pro shopping.
- Não existe nada no mundo que me faça tirar minhas pantufas de bode pra ir ao Shopping.
- Ver filme.
- Que filme?
- Não sei, qualquer um.
- Premonição?
- Ah não!
- 5?
- Ah não!
- 3D?
- Ah não!
- Se você quer algum dia me levar pra ver filme me chama pra ver Premonição 5.
- Não!
- 3D.
- Nãão!
- Com cabeças e tripas voando na minha direção.
- Nããão!!
- Pera, deixa eu olhar aqui se tá passando que eu vou com vocês!
- Tá bom, vê aí...
- Não tá.
- Não vai?
- Não. Então vai. Outro dia, que eu não estiver de pantufas, você volta e me leva pra passear de conversível?
- Levo. Me liga.
- Não.
- Mas porque?? Conversível é muito legal.
- Porque eu tô de pijama.
- Mas é só botar um tênis, a roupa tá boa pra sair.
- Olha só. Hoje eu acordei, tomei um banho e vesti meu pijama e pantufas. Aí eu fiz arroz.
- 5 quilos de arroz.
- É, 5 quilos de arroz pra nunca mais ter que fazer arroz nessa vida. Eu não era capaz, hoje, nem de trabalhar. E eu tive que fazer arroz, outro arroz, pro almoço. Ah é, eu fiz almoço e depois eu fiz 5 quilos de arroz. Fazer almoço me lembrou que eu não quero nunca mais fazer arroz nessa vida. Aí eu fiz 5 quilos. Não existe nada nesse universo que vai me fazer sair dessas pantufas de bode.
- Nem um passeio de conversível?
- Nem isso...
- ...
- Onde ces dois vão?
- Pro shopping.
- Não existe nada no mundo que me faça tirar minhas pantufas de bode pra ir ao Shopping.
- Ver filme.
- Que filme?
- Não sei, qualquer um.
- Premonição?
- Ah não!
- 5?
- Ah não!
- 3D?
- Ah não!
- Se você quer algum dia me levar pra ver filme me chama pra ver Premonição 5.
- Não!
- 3D.
- Nãão!
- Com cabeças e tripas voando na minha direção.
- Nããão!!
- Pera, deixa eu olhar aqui se tá passando que eu vou com vocês!
- Tá bom, vê aí...
- Não tá.
- Não vai?
- Não. Então vai. Outro dia, que eu não estiver de pantufas, você volta e me leva pra passear de conversível?
- Levo. Me liga.
Segunda-feira, Setembro 19, 2011
Finding ways to break the silence and to quench our taste for violence.
"De fato, eu não nutria a menor simpatia por aqueles meninos que não tinham sido capazes de aceitar uma namoradinha infiel, um colega necessitado ou uma dose de desatenção por parte de um chefe de família atarefado - que não conseguiram cumprir a maldita sentença na maldita da escola como fizemos nós todos - sem esculpir seus probleminhas tão corriqueiros de forma indelével na vida de outras famílias."
E não estamos esculpindo nossos probleminhas corriqueiros em carnes que não nos pertencem o tempo todo? Talvez a falha esteja aí, e graças a existência dela alguns erram a mão.
E não estamos esculpindo nossos probleminhas corriqueiros em carnes que não nos pertencem o tempo todo? Talvez a falha esteja aí, e graças a existência dela alguns erram a mão.
Domingo, Setembro 18, 2011
And water for these slow dying trees where gardens used to grow.
O que aconteceu foi que eu estava lendo até que de repente ouvi barulhos de fogos de artifício estourando e antes que eu pudesse verbalizar silenciosamente a minha conclusão de que os estouros que escutava se tratavam de fogos de artifício, minha voz mental foi interrompida pelos gritos de um grupo.
- ÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊ!!!
Mais um PÁ PÁ TÁ RÁ PÁ TÁ TÁ TÁ RÁ.
- AÊÊÊÊÊÊÊÊÊ!!!
Meu Deus, o que danificou tão severamente esses seres humanos pra que ficassem comemorando a cada explosão?
PÁPÁPÁPÁTÁTÁRATÁTÁTÁ.
- UUUUUUUUULLLLL!!!
Ul? Ul? UL??? Que tipo de vazio na alma arranca um "ul" dos pulmões de alguém como uma forma de expor alegria e animação?
Flores no cemitério.
E todo meu amargor perante uma simples constatação de que estou rodeada por pessoas, simplesmente pessoas, fez com que aquela frase que eu falei emergisse, ficasse boiando, se destacando entre meus pensamentos:
- Eu preferia que você não viesse hoje, eu estou agressiva demais...
De certa forma, a frase por si só, pra mim, já se trata de uma agressão. É quase como dizer:
- Veja bem, estou dispensando toda sua generosidade e seu carinho, porque eu sou uma pessoa incapaz de me comportar como alguém minimamente civilizado. Foda-se você.
Ainda assim, não tendo dito, seria obrigada a sobreviver à possibilidade de espalhar esses perdigotos de ódio injustificável sobre alguém tão generoso e carinhoso. E isso tocaria minha pele como borrifadas de ácido clorídrico. Agredir quem me ama sempre dói mais em mim. Não sabendo, por alguns períodos de tempo, me controlar, aprendi a me isolar.
Eu não soube me isolar sempre. Já atirei objetos em inocentes e berrei ofensas imperdoáveis em gente que, antes disso, me quis bem. Foi com esse comportamento que eu passei por uma boa parte da vida transformando tudo que eu tocava em merda. Perdendo. Magoando.
Mas agora parece que virou moda sair esfregando mãos fedorentas de merda em qualquer um sem motivo aparente. Todo mundo faz. Toda hora. E saem, diferentes de como eu saí, impunes.
E eu acho que é isso que faz com que a minha tolerância a alfinetadas seja tão baixa. Porque se eu consigo, quase 100% do tempo, controlar meu impulso, que me veio como um presente de nascença, tal qual a mancha que eu tenho na perna, tal qual a beleza da princesa Aurora, de distribuir machadadas em resposta a qualquer coisa, porque diabos você não consegue guardar esse patético alfinete que está segurando?
É impulso versus impulso.
Ainda que um seja umas 1000 vezes mais destrutivo, certamente também é 1000 vezes mais difícil de ser contido, de ser abafado. O outro, por sua vez, mal dor causa, no máximo um desconforto.
Ainda assim eu aceito a troca, você segura o seu e eu segurarei o meu.
Gigantes nunca são gentis por natureza.
(E, ironicamente, a maioria deles passam a vida exercendo a gentileza.)
- ÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊ!!!
Mais um PÁ PÁ TÁ RÁ PÁ TÁ TÁ TÁ RÁ.
- AÊÊÊÊÊÊÊÊÊ!!!
Meu Deus, o que danificou tão severamente esses seres humanos pra que ficassem comemorando a cada explosão?
PÁPÁPÁPÁTÁTÁRATÁTÁTÁ.
- UUUUUUUUULLLLL!!!
Ul? Ul? UL??? Que tipo de vazio na alma arranca um "ul" dos pulmões de alguém como uma forma de expor alegria e animação?
Flores no cemitério.
E todo meu amargor perante uma simples constatação de que estou rodeada por pessoas, simplesmente pessoas, fez com que aquela frase que eu falei emergisse, ficasse boiando, se destacando entre meus pensamentos:
- Eu preferia que você não viesse hoje, eu estou agressiva demais...
De certa forma, a frase por si só, pra mim, já se trata de uma agressão. É quase como dizer:
- Veja bem, estou dispensando toda sua generosidade e seu carinho, porque eu sou uma pessoa incapaz de me comportar como alguém minimamente civilizado. Foda-se você.
Ainda assim, não tendo dito, seria obrigada a sobreviver à possibilidade de espalhar esses perdigotos de ódio injustificável sobre alguém tão generoso e carinhoso. E isso tocaria minha pele como borrifadas de ácido clorídrico. Agredir quem me ama sempre dói mais em mim. Não sabendo, por alguns períodos de tempo, me controlar, aprendi a me isolar.
Eu não soube me isolar sempre. Já atirei objetos em inocentes e berrei ofensas imperdoáveis em gente que, antes disso, me quis bem. Foi com esse comportamento que eu passei por uma boa parte da vida transformando tudo que eu tocava em merda. Perdendo. Magoando.
Mas agora parece que virou moda sair esfregando mãos fedorentas de merda em qualquer um sem motivo aparente. Todo mundo faz. Toda hora. E saem, diferentes de como eu saí, impunes.
E eu acho que é isso que faz com que a minha tolerância a alfinetadas seja tão baixa. Porque se eu consigo, quase 100% do tempo, controlar meu impulso, que me veio como um presente de nascença, tal qual a mancha que eu tenho na perna, tal qual a beleza da princesa Aurora, de distribuir machadadas em resposta a qualquer coisa, porque diabos você não consegue guardar esse patético alfinete que está segurando?
É impulso versus impulso.
Ainda que um seja umas 1000 vezes mais destrutivo, certamente também é 1000 vezes mais difícil de ser contido, de ser abafado. O outro, por sua vez, mal dor causa, no máximo um desconforto.
Ainda assim eu aceito a troca, você segura o seu e eu segurarei o meu.
Gigantes nunca são gentis por natureza.
(E, ironicamente, a maioria deles passam a vida exercendo a gentileza.)
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